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Microplásticos já estão em alimentos, ar e até no corpo humano, apontam pesquisadores

Estudo de universidades do Rio reúne 140 pesquisas e confirma a presença de micro e nanoplásticos no ambiente e no organismo, reforçando alerta sobre riscos à saúde.

redação Por redação
18/10/2025 - 08:59
em Brasil
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Pesquisa da UFF, UFRJ e Uerj confirma a presença de micro e nanoplásticos em alimentos, água e no corpo humano. Cientistas alertam para possíveis danos à saúde e cobram ações urgentes.

Imagem:Fernando Frazão/Agência Brasil

Os cientistas ainda buscam comprovar os possíveis danos à saúde causados pelos micro e nanoplásticos, mas a presença dessas partículas no meio ambiente e no corpo humano já está amplamente documentada. É o que revela um estudo conduzido por dez pesquisadores das universidades Federal Fluminense (UFF), Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O grupo analisou 140 estudos realizados em diferentes países, incluindo o Brasil. Segundo o professor do Instituto de Química da UFF, Vitor Ferreira, embora os impactos do plástico no meio ambiente sejam conhecidos desde a década de 1940, as micropartículas e suas interações com animais e humanos só passaram a ser estudadas com mais profundidade nos últimos dez anos.

“Os plásticos não são biodegradáveis. Descobriu-se que esses materiais se fragmentam sob a ação da luz solar, formando micropartículas e nanopartículas que permanecem no ar, na água e no solo, entrando na cadeia alimentar. Até a água que bebemos contém micro e nanoplásticos”, explica Ferreira, que coordenou o estudo financiado pela Faperj e pelo CNPq.

As análises identificaram essas partículas em alimentos variados, como açúcar, sal e mel. Peixes e frutos do mar também são grandes fontes de contaminação, pois ingerem micro e nanoplásticos do oceano e os repassam a outros animais — inclusive aos seres humanos.

A contaminação se espalha por todo o território brasileiro, com registros desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul. Além da ingestão, as pessoas também respiram essas partículas e podem absorvê-las pela pele.

Estima-se que um ser humano consuma entre 39 mil e 52 mil microplásticos por ano — número que pode chegar a 121 mil quando a inalação é considerada. Quem consome apenas água engarrafada pode ingerir até 90 mil microplásticos a mais. Mesmo assim, os cientistas acreditam que esses números estão subestimados, já que os nanoplásticos são difíceis de detectar com as técnicas disponíveis.

Depois de entrar no organismo, as partículas podem se alojar em regiões como pulmões, boca e corrente sanguínea, acumulando-se em tecidos e órgãos. Estudos recentes já identificaram microplásticos em placentas e cordões umbilicais, sugerindo que eles podem alcançar fetos em desenvolvimento.

O próximo passo, de acordo com Ferreira, é comprovar a relação direta entre a contaminação e doenças específicas. “Até o momento, só encontramos um estudo clínico que analisou coágulos arteriais e detectou microplásticos em 60% deles. É possível que essas partículas iniciem processos inflamatórios e de coagulação, mas ainda precisamos estabelecer essa relação de causa e efeito”, afirma.

O professor destaca ainda que o termo “plástico” abrange diferentes polímeros sintéticos, quase todos derivados do petróleo. Além das embalagens, eles estão presentes em itens como pneus e roupas. Ferreira lembra que, além das partículas em si, os aditivos usados na fabricação também podem ser nocivos.

Diante do cenário, o pesquisador defende medidas urgentes de mitigação. “Precisamos ampliar a reciclagem para evitar o descarte incorreto e reduzir a presença do plástico na natureza. Isso depende de ações individuais, mas principalmente das indústrias e dos governos”, ressalta.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tenta desde 2022 estabelecer um tratado global para pôr fim à poluição plástica. No entanto, as negociações entre os países já foram adiadas duas vezes.

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Tags: Meio AmbientemicroplásticosnanoplásticosONUpesquisa científicapoluição plásticaSaúdeUerjUFFUFRJ
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