O Mercado Comum do Sul (Mercosul) deu mais um passo na integração econômica internacional ao assinar, nesta terça-feira (16), um acordo de livre comércio com os quatro países que formam a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta): Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
A parceria cria um mercado de 290 milhões de consumidores e soma um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,39 trilhões, segundo dados de 2024.
Livre comércio em tempos de incerteza
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o acordo é um sinal de fortalecimento do multilateralismo em meio às tensões globais.
“Em um mundo de incerteza, nós estamos dando uma prova de que é possível fortalecer o livre comércio. O comércio aproxima os povos, e o desenvolvimento promove a paz”, disse Alckmin.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressaltou a persistência nas negociações e afirmou que o tratado é um compromisso de defesa do comércio internacional como motor do crescimento econômico e da prosperidade.
Impacto econômico
Pelos termos do acordo:
- A Efta eliminará 100% das tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro.
- Produtos agrícolas do Mercosul, como carnes, milho, soja, frutas, café e sucos, ganharão maior acesso aos novos mercados.
- O tratado também abrange áreas como investimentos, propriedade intelectual, defesa comercial, medidas sanitárias e fitossanitárias.
Há ainda compromissos ambientais inovadores, como a exigência de que serviços digitais só recebam benefícios se os países de origem tiverem ao menos 67% de energia limpa na matriz elétrica.
Próximos passos
O acordo não entra em vigor de imediato. Cada país precisa concluir seus trâmites internos, incluindo a aprovação pelo Congresso Nacional no Brasil.
Em paralelo, o governo brasileiro busca ampliar sua rede de parcerias: negocia com os Emirados Árabes Unidos, retoma tratativas com o Canadá e trabalha para expandir acordos com México e Índia.
União Europeia na mira
As autoridades brasileiras também esperam avançar no aguardado acordo Mercosul-União Europeia, em negociação há 25 anos. O texto foi enviado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Parlamento europeu em setembro e pode criar um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, equivalente a 26% da economia global.
Enquanto países como Alemanha e Espanha defendem a aprovação, a França se mantém contrária, alegando preocupações ambientais ligadas à produção agrícola no Mercosul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, acusando Paris de adotar uma postura protecionista.
Contexto global
O evento de assinatura no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, reuniu ministros e diplomatas dos países do Mercosul e da Efta. A cerimônia reforçou a aposta na integração econômica em um momento em que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, têm tensionado o comércio internacional.
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