Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o Brasil dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero. As conversas foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo os registros, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de sair do país. No dia seguinte, voltou a perguntar se havia chance de alguma medida acontecer na manhã seguinte. As respostas atribuídas ao ministro não puderam ser recuperadas pela Polícia Federal porque teriam sido enviadas como mensagens de visualização única.
Dois dias depois dos primeiros questionamentos, em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
As conversas também mostram o banqueiro preocupado com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. Em determinado momento, Vorcaro citou o juiz Ricardo Augusto Soares Leite e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, perguntando se seria possível fazer alguma coisa diante da situação.
Em outro trecho, ele questionou se havia possibilidade de reverter o cenário com “Paulo” ou “Andrei”. De acordo com a Polícia Federal, as referências seriam ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da própria PF, Andrei Rodrigues.
Outras mensagens localizadas no aparelho de Vorcaro tratam de pagamentos ao escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Em uma das conversas, o banqueiro cobrou executivos do Banco Master por causa de um pagamento que, segundo ele, estava atrasado. Vorcaro classificou o contrato como um dos mais importantes mantidos pela instituição e demonstrou preocupação com possíveis consequências do atraso.
O contrato foi firmado em janeiro de 2024 e previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões ao escritório. Em outra mensagem, Vorcaro orientou uma funcionária a acompanhar os repasses para evitar atrasos.
Os registros também indicam que, em 2025, o banqueiro determinou que o contrato físico não fosse compartilhado e levantou questionamentos sobre pagamentos realizados por Pix.
De acordo com informações encaminhadas à CPI do Crime Organizado, o escritório havia recebido R$ 80,2 milhões do Banco Master até outubro de 2025, conforme dados da declaração de Imposto de Renda da instituição.
As mensagens fazem parte do material obtido pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master. O conteúdo dos diálogos e as circunstâncias dos pagamentos ainda são objeto de análise pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
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