O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quinta-feira (28), em Brasília, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, em visita oficial que marca a retomada da relação bilateral após 17 anos sem a presença de um chefe de Estado panamenho no Brasil.
Durante o encontro, foram firmados acordos de cooperação em diversas áreas, com destaque para o memorando de entendimento entre o Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil e a Autoridade do Canal do Panamá. O documento estabelece ações conjuntas em logística, transporte marítimo, comércio exterior e sustentabilidade, incluindo estudos sobre descarbonização e impactos econômicos, além de desenvolvimento de novas rotas para exportações brasileiras via Canal.
Segundo Lula, o momento representa “o recomeço de uma nova relação entre Brasil e Panamá”, com potencial para gerar avanços no comércio, ciência e tecnologia. O presidente destacou ainda que a relação bilateral deve ser uma “via de duas mãos, em que todos ganham”.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ressaltou que a parceria amplia a competitividade brasileira no comércio exterior:
“Ao lado do Panamá, vamos desenvolver rotas mais eficientes e sustentáveis, modernizando nossos portos e atraindo novos investimentos”, afirmou.
O presidente panamenho, por sua vez, defendeu o fortalecimento do multilateralismo e a integração regional. Mulino lembrou que o Canal do Panamá, ativo estratégico do comércio internacional, é regido por tratado de neutralidade e deve se tornar referência também na luta contra as mudanças climáticas, com rotas mais sustentáveis.
Além da área portuária, Brasil e Panamá firmaram acordos em saúde, ciência, tecnologia, educação e agropecuária. Entre os destaques estão:
- Cooperação agrícola: assinatura de memorando entre os ministérios da Agricultura do Brasil e do Panamá para troca de tecnologias e boas práticas em sanidade animal, vegetal e produção sustentável.
- Defesa: iminente assinatura de contrato de aquisição de aeronaves brasileiras.
- Ciência e tecnologia: parceria entre a Fiocruz e a SENACYT (Secretaria Nacional de Ciência e Tecnologia do Panamá) para cooperação em vacinas e biofármacos.
- Comércio e investimentos: avanços nas negociações para um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, com maior segurança jurídica a investidores.
O comunicado oficial também destacou o apoio mútuo em temas regionais e globais, como o combate à fome e à pobreza, a COP30 em Belém (2025), o papel do Panamá no Conselho de Segurança da ONU (2025–2026) e a necessidade de reforçar o multilateralismo diante das tensões geopolíticas atuais.
Lula anunciou ainda que o Brasil iniciará os trâmites internos para aderir ao Protocolo de Neutralidade Permanente e Funcionamento do Canal do Panamá, garantindo livre trânsito internacional na via interoceânica, independentemente de conflitos bélicos.
A visita também incluiu um encontro empresarial com representantes dos dois países, promovido pela ApexBrasil, pela CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe) e pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), reforçando as oportunidades de negócios e integração econômica.
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