O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (21) do I Fórum de Alto Nível CELAC-África, em Bogotá, onde defendeu a soberania das nações do Sul Global e apresentou uma agenda estratégica de cooperação entre países da América Latina, Caribe e África.
Durante o discurso, Lula afirmou que os países dessas regiões não podem aceitar interferências externas e destacou a importância de preservar o multilateralismo.
O presidente também criticou o cenário global, marcado por conflitos e desigualdades, lembrando que o mundo vive o maior número de guerras desde a Segunda Guerra Mundial.
Segundo ele, enquanto trilhões são gastos com armamentos, milhões de pessoas ainda enfrentam fome, falta de energia e acesso limitado à educação.
Reparação histórica e herança colonial
Lula ressaltou a necessidade de enfrentar os impactos históricos do colonialismo e da escravidão, alinhando-se ao debate promovido pela União Africana.
“O Brasil ainda está longe de pagar sua dívida com a África por 350 anos de escravidão”, afirmou.
Cinco eixos de cooperação
O presidente apresentou cinco áreas prioritárias para fortalecer a parceria entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e países africanos:
Combate à fome
Lula destacou que cerca de 340 milhões de pessoas passam fome nas duas regiões e defendeu políticas públicas integradas para garantir segurança alimentar. Ele citou iniciativas como a atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada no G20.
Mudanças climáticas
O presidente ressaltou que, embora não sejam os principais responsáveis pelo aquecimento global, os países do Sul Global estão entre os mais afetados. Ele mencionou a importância da preservação da Floresta Amazônica e da floresta do Congo, além de iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Transição energética
Lula defendeu investimentos em energias limpas, como solar, eólica e hídrica, e destacou o potencial dos países dessas regiões para liderar a descarbonização global.
Também apontou a importância dos minerais críticos — como terras raras — para a transição energética, defendendo que a exploração beneficie os próprios países produtores.
Inteligência artificial
Outro eixo apresentado foi o desenvolvimento tecnológico, com foco em Inteligência Artificial. Lula destacou a necessidade de investimentos em infraestrutura digital, qualificação profissional e governança de dados.
Ele anunciou que o Brasil destinará recursos para cooperação internacional na área, incluindo financiamento de projetos e uso de infraestrutura tecnológica.
Comércio e investimentos
Por fim, o presidente defendeu o fortalecimento das relações comerciais e dos investimentos entre as regiões, incluindo maior integração entre instituições financeiras como o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Africano de Desenvolvimento.
Integração e geopolítica
Lula também destacou que América Latina e África compartilham laços históricos e culturais, além de desafios comuns. Segundo ele, apesar de representarem quase metade dos países do mundo, ainda são sub-representadas em organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU.
O presidente defendeu ainda que o Atlântico Sul permaneça livre de disputas geopolíticas e anunciou que o Brasil sediará, em abril, reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).
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