O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na última terça-feira (24), que o Brasil está disposto a compartilhar integralmente sua experiência no combate ao crime organizado com os Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump demonstre interesse em tratar o tema com seriedade.
A declaração foi feita em Brasília durante a sanção do marco legal do combate ao crime organizado no país. Na ocasião, Lula ressaltou que o Brasil acumulou conhecimento relevante no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e organizações criminosas, podendo contribuir com outras nações.
Críticas a ações dos EUA
Durante o discurso, o presidente criticou operações militares realizadas pelos Estados Unidos em águas da América do Sul, região que classificou como uma “zona de paz”. Segundo ele, houve episódios em que embarcações foram atacadas sob suspeita de narcotráfico sem comprovação.
Lula afirmou que “dezenas de pessoas” teriam sido mortas nessas ações sem que houvesse confirmação de envolvimento com atividades criminosas, destacando a necessidade de cautela e responsabilidade em operações desse tipo.
O presidente destacou iniciativas brasileiras voltadas à cooperação internacional, como a instalação de uma base da Polícia Federal em Manaus, no estado do Amazonas. A unidade atua no monitoramento de fronteiras e na integração com países vizinhos.
De acordo com Lula, o Brasil possui cerca de 16.800 quilômetros de fronteiras, o que exige ações coordenadas para combater crimes transnacionais.
O presidente também citou operações recentes no país contra o contrabando de combustíveis e a sonegação fiscal, reforçando que o Brasil está aberto à cooperação com qualquer país disposto a enfrentar o crime organizado de forma estruturada.
Foco nos líderes do crime
Ao abordar estratégias de enfrentamento, Lula defendeu que as ações devem priorizar os líderes das organizações criminosas, que, segundo ele, vivem com alto padrão de vida.
O presidente criticou políticas que atingem apenas os níveis mais baixos do crime, afirmando que o combate eficaz passa pela responsabilização dos principais articuladores das redes criminosas.
“Não são os magrinhos na periferia, são esses os que precisam ser presos e punidos”, declarou.
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