O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, que o Brasil continuará ampliando suas relações comerciais com outros países para reduzir os impactos das novas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Segundo o presidente, o país não ficará dependente de um único parceiro econômico e buscará novos mercados para exportação e investimentos.
“O Brasil é um país soberano e democrático. Se um parceiro comercial não quiser comprar nossos produtos, vamos buscar quem queira. Da mesma forma, se não houver interesse em investir aqui, procuraremos outros investidores”, afirmou Lula aos ministros.
O presidente também ressaltou que o governo brasileiro tem adotado uma postura de maior independência nas relações internacionais, defendendo respeito mútuo entre as nações.
Tarifas podem atingir parte das exportações brasileiras
A declaração ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida é resultado de uma investigação iniciada durante o governo do presidente Donald Trump sobre supostas práticas consideradas desfavoráveis aos interesses comerciais norte-americanos.
Entre os argumentos apresentados pelas autoridades dos Estados Unidos está a alegação de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix teria criado desvantagens para empresas estrangeiras que atuam no setor de pagamentos digitais, incluindo operadoras de cartões e plataformas de transações eletrônicas.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano podem ser impactadas caso as medidas sejam efetivamente implementadas.
Brasil participará do G7 e defenderá fortalecimento do multilateralismo
Durante o encontro ministerial, Lula também anunciou que participará da próxima reunião do G7, prevista para ocorrer na França, após convite do presidente francês Emmanuel Macron.
O grupo reúne algumas das principais economias do mundo, incluindo Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
Segundo o presidente brasileiro, sua presença no encontro terá como foco a defesa da cooperação internacional, do fortalecimento das instituições multilaterais e da preservação dos mecanismos de diálogo entre os países.
Lula afirmou que o cenário internacional exige esforços para fortalecer organismos globais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e voltou a defender reformas em sua estrutura de governança, especialmente no Conselho de Segurança.
Presidente afirma ter sido surpreendido pela decisão americana
Lula também demonstrou insatisfação com a decisão anunciada pelos Estados Unidos, alegando que havia negociações em andamento entre os dois governos para tratar das divergências comerciais.
Segundo ele, durante reunião realizada na Casa Branca em maio, ficou estabelecido um prazo de 30 dias para a busca de um entendimento sobre a relação comercial entre os dois países.
O presidente destacou ainda que apresentou dados indicando que os Estados Unidos registraram superávit comercial de aproximadamente US$ 415 bilhões nas trocas comerciais com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.
“Saí daquela reunião acreditando que estávamos construindo uma relação mais equilibrada e baseada no diálogo. Por isso, a decisão anunciada recentemente causou surpresa”, declarou.
Prazo para manifestação termina em julho
O governo brasileiro e os setores econômicos afetados poderão apresentar manifestações sobre o relatório elaborado pelo USTR até o dia 15 de julho. Após esse período, os Estados Unidos poderão decidir pela adoção de medidas consideradas corretivas contra o Brasil.
Enquanto acompanha o andamento das negociações, o governo brasileiro busca alternativas para ampliar mercados e fortalecer sua presença comercial em outras regiões do mundo.
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