Na sequência da agenda que antecede a COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou no último domingo (2) a Comunidade Jamaraquá, uma das 26 comunidades da Floresta Nacional do Tapajós, no Pará. Mais cedo, Lula esteve na Aldeia Vista Alegre do Capixauã, onde ouviu demandas e anunciou ampliação do acesso a programas federais. No sábado (1º), participou da inauguração do Porto de Outeiro e do Aeroporto Internacional de Belém.
“Para a floresta ficar em pé, temos que dar sustentação econômica, educacional e de saúde para as pessoas que tomam conta. Se as pessoas não tiverem o que comer, não vão tomar conta de nada”, afirmou o presidente.
A comunidade, que integra o Programa Bolsa Verde e é apoiada pelo Fundo Amazônia, se destaca pelo turismo de base comunitária e sustentável, além da produção de óleos de andiroba e copaíba, látex e biojoias. O modelo combina geração de renda familiar com preservação ambiental.
Durante a visita, Lula acompanhou a extração do látex e a fabricação de borracha, participou da produção de farinha de mandioca e conversou com os moradores. Ele reforçou que a escolha do Pará como sede da COP30 é uma oportunidade para que líderes mundiais conheçam de perto a Amazônia e seus povos.
“A COP30 é um momento único na história do Brasil. É quando estamos obrigando o mundo a olhar a Amazônia com os olhos que deve olhar. O mundo vai conhecer o povo extraordinário da Amazônia, que merece ajuda”, destacou.
Apoio e reconhecimento
Lula afirmou que não basta pedir para manter a floresta em pé, mas é necessário financiar e apoiar quem vive e trabalha pela conservação. Segundo ele, as visitas à região têm o objetivo de compreender a realidade amazônica.
“De Brasília é difícil enxergar o que acontece aqui. Quis vir para aprender e entender a vida das pessoas que moram às margens do Rio Tapajós, um lugar maravilhoso”, disse.
O presidente também destacou a importância de melhorar os serviços de saúde, educação e titulação de terras, e anunciou o compromisso de criar a Universidade dos Povos Indígenas do Brasil, com sede em Brasília e campi em diferentes estados.
“Os jovens terminam o ensino médio e não têm faculdade próxima. Vamos criar essa universidade até 17 de novembro”, afirmou.
Vida na comunidade
A Comunidade Jamaraquá abriga 190 moradores de 47 famílias. Na Floresta Nacional do Tapajós, vivem cerca de 4 mil pessoas, distribuídas em 25 comunidades e três aldeias. A renda vem de atividades como o manejo florestal, turismo de base comunitária, produção de farinha, movelaria comunitária e sistemas agroflorestais com cultivo de frutas e produtos da sociobiodiversidade.
O morador Donildo Lopes dos Santos, conhecido como Seu Dido, ex-cacique e condutor de visitantes, ressaltou a importância da transmissão de saberes tradicionais:
“Se a gente não passar o que sabe adiante, se perde tudo”, afirmou o artesão e produtor de látex.
Reconhecimento e políticas ambientais
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o modo de vida das comunidades da Flona Tapajós é exemplo de bioeconomia e sociobiodiversidade.
“Essas famílias protegem a floresta, buscam melhorias e já conseguiram muitas. Aqui há extrativistas, artesãos, seringueiros, e todas essas atividades se combinam ao longo do ano”, disse Marina.
Retomado em 2023, o Programa Bolsa Verde beneficia 650 famílias (60% das que vivem na Flona). A iniciativa remunera famílias que vivem em Unidades de Conservação de Uso Sustentável, assentamentos agroextrativistas e territórios tradicionais, incentivando o uso sustentável dos recursos naturais e o monitoramento da floresta.
Além do apoio financeiro, o programa oferece assistência técnica, extensão rural socioambiental e inclusão socioprodutiva, fortalecendo o papel dos povos da floresta na preservação ambiental.
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