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Lula defende novo modelo econômico global no G20 com foco em transição energética e clima

Presidente diz que grupo, responsável por 77% das emissões, deve liderar mudança para economia pós-combustíveis fósseis.

redação Por redação
22/11/2025 - 14:49
em Brasil
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Lula afirma no G20 que é papel das maiores economias liderar a transição energética e enfrentar a crise climática, defendendo mudanças econômicas e sociais estruturais.

Imagem: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (22), que o G20 tem a missão de liderar um novo modelo econômico voltado para a transição energética e a adaptação às mudanças climáticas. O discurso foi feito durante sessão da Cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, destinada a debater redução de riscos de desastres, clima, energia limpa e sistemas alimentares.

Lula destacou que o mundo vive uma nova fase, que exige ações simultâneas: acelerar o combate ao aquecimento global e preparar a infraestrutura mundial para uma nova realidade climática. Segundo ele, o G20 tem papel crucial nesse processo, já que responde por 77% das emissões globais.

“É do G20 que um novo modelo de economia deve emergir”, afirmou. “O grupo é ator central na elaboração de um caminho que afaste o mundo dos combustíveis fósseis.”

COP30 e críticas ao pouco avanço internacional

O presidente lembrou que os países, sob coordenação do Brasil, estão concluindo as tratativas da COP30, no Pará. No entanto, representantes da sociedade civil criticaram a falta de ambição do acordo, sobretudo pela ausência de um cronograma claro para eliminar gradualmente petróleo e carvão — os dois maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa.

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Lula afirmou que a COP30 mostrou que o debate sobre essa transição é inevitável e tem caráter econômico e estratégico, não apenas ambiental. “A mudança do clima não é uma simples questão de política ambiental. É um desafio de planejamento econômico.”

Resiliência e infraestrutura

Lula citou ainda o documento Princípios Voluntários para Investir em Redução de Risco de Desastres, aprovado sob liderança da África do Sul, que destaca a necessidade de financiamento de longo prazo para adaptação climática. Ele apontou que eventos extremos testarão rodovias, linhas de transmissão, prédios, sistemas de água, agricultura e abastecimento energético.

Segundo o presidente, investir em prevenção e adaptação é financeiramente mais vantajoso: “Cada dólar investido evita quatro dólares em prejuízos.”

Justiça climática e combate à pobreza

Lula defendeu que um mundo resiliente não pode deixar para trás as populações mais vulneráveis, que são as que menos contribuíram para a crise climática. Ele citou a Declaração de Belém, lançada na COP30, com compromisso de fortalecer a proteção social, apoiar pequenos produtores e garantir alternativas sustentáveis de renda para comunidades que vivem nas florestas.

O presidente sugeriu que o G20 pode ajudar a proteger cadeias alimentares por meio de políticas como compras públicas e seguros rurais.

Crescimento sustentável e desigualdade

Na primeira sessão da cúpula, Lula defendeu reformas estruturais da economia global, incluindo taxação de super-ricos e troca da dívida de países mais pobres por investimentos em desenvolvimento sustentável e ação climática.

Ele afirmou que é hora de transformar a desigualdade em “emergência global” e redesenhar instituições que sustentam assimetrias históricas. Segundo Lula, sem financiamento, a Agenda 2030 corre risco de ficar apenas no papel.

Contexto da cúpula

O G20, criado após a crise asiática de 1999, tornou-se também um fórum político a partir de 2008. Em 2025, a África do Sul lidera os trabalhos com o lema.

“Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, priorizando:

  • fortalecimento da resposta a desastres,
  • sustentabilidade da dívida pública dos países pobres,
  • financiamento da transição energética,
  • papel dos minerais críticos na economia global.

A presidência sul-africana encerra um ciclo em que todos os membros já assumiram a liderança do grupo.

Reuniões bilaterais e agenda

Lula desembarcou em Joanesburgo na sexta (21) e se reuniu com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. O governo da África do Sul elogiou o sucesso da COP30 e o protagonismo brasileiro na mobilização social.

Lula convidou Ramaphosa para uma visita de Estado ao Brasil em 2026 e ambos discutiram a ampliação do acordo entre Mercosul e a União Aduaneira da África Austral, reconhecendo o baixo fluxo comercial entre as duas economias.

O presidente sul-africano também demonstrou interesse nas políticas brasileiras de inclusão social e segurança alimentar.

Neste domingo (23), Lula participa de nova sessão do G20 sobre minerais críticos, trabalho decente e inteligência artificial, além de reunião entre Índia, Brasil e África do Sul (Ibas). Na segunda (24), ele segue para Moçambique, celebrando 50 anos de relações diplomáticas entre os países, retornando ao Brasil ainda no mesmo dia.

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Tags: #diplomacia#G20#transiçãoenergética
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