O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última segunda-feira (22), em Nova York, que o que ocorre em Gaza não é apenas o extermínio do povo palestino, mas também uma tentativa de destruir o seu sonho de nação. A declaração foi feita na Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão Palestina, encontro que antecede a Assembleia-Geral das Nações Unidas.
“Como apontou a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”, disse Lula.
O presidente destacou que o Brasil condena os atos terroristas do Hamas, mas ressaltou que o direito de defesa não pode justificar a matança indiscriminada de civis. Ele criticou ainda o uso da fome como arma de guerra e o ataque a pessoas em busca de ajuda humanitária.
Segundo Lula, mais de 50 mil crianças foram mortas ou mutiladas e 90% dos lares palestinos foram destruídos. “Nada justifica usar a fome como arma de guerra. Meio milhão de palestinos não têm comida suficiente, mais do que a população de Miami ou Tel Aviv. A fome não aflige apenas o corpo, ela estilhaça a alma”, afirmou.
O líder brasileiro reforçou que tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir e que a criação do Estado Palestino é condição para restabelecer o diálogo e a paz. Lula lembrou que o Brasil reconheceu oficialmente a Palestina em 2010 e anunciou medidas como o reforço do controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e a manutenção da suspensão de exportações de material de defesa que possam ser usados em crimes contra a humanidade.
O Brasil também decidiu aderir ao processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de práticas genocidas contra os palestinos.
Lula ainda criticou a paralisia do Conselho de Segurança da ONU, bloqueado pelo uso recorrente do poder de veto, e defendeu a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, responsável por mobilizar a comunidade internacional contra o regime de segregação racial na África do Sul.
“Assegurar o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade”, concluiu Lula.
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