Roma, 19 de agosto de 2025 – A Justiça da Itália decidiu manter presa a deputada Carla Zambelli (PL-SP), negando o pedido de sua defesa para que ela cumprisse prisão domiciliar enquanto aguarda o processo de extradição ao Brasil. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Apelações de Roma em audiência realizada na última quinta-feira (13), segundo informou a Advocacia-Geral da União (AGU) nesta terça (19).
Zambelli foi presa em julho em Roma, após tentar escapar do cumprimento de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Condenação no Brasil
A parlamentar, que possui dupla cidadania, deixou o Brasil em maio, depois de ser condenada a 10 anos de prisão pelo STF por participação na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
De acordo com a investigação, Zambelli foi a autora intelectual do ataque, que resultou na emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes. O hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que confirmou ter agido a mando da deputada.
Além da pena de prisão, Zambelli foi condenada ao pagamento de R$ 2 milhões em danos coletivos.
Extradição e novos processos
O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em 11 de junho, enviado pelo Itamaraty ao governo italiano. A decisão agora depende das autoridades do país europeu.
Na semana passada, a deputada também foi condenada em outro processo no STF, desta vez por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma.
Situação do mandato parlamentar
Atualmente, Zambelli está em licença não remunerada de 127 dias, autorizada pela Câmara dos Deputados em junho. Caso não retorne após o prazo, poderá ter o mandato cassado por faltas.
Além disso, a parlamentar enfrenta um processo de cassação já em andamento na Câmara. A Casa ainda deve deliberar sobre a perda do mandato em razão da condenação pelo STF.
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