Na comunidade Porangaba, localizada na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, onde vivem cerca de 3,5 mil famílias, o trabalhador rural Dione Torquato, de 38 anos, reconhece que as condições de vida melhoraram nas últimas duas décadas, embora ainda haja muitos desafios. A população local atua na pesca artesanal, no seringal e na produção de castanha e açaí, atividades que, segundo ele, passaram a receber maior apoio por meio de políticas públicas.
Para Torquato, a transformação ficou mais evidente a partir da criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que completa 18 anos nesta quinta-feira (28). O trabalhador, que também é secretário-geral do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, destacou durante evento comemorativo que a instituição tem sido essencial no fomento à produção, na capacitação de trabalhadores e no monitoramento das reservas.
Entre as prioridades, ele aponta a necessidade de avançar em inclusão digital, educação e geração de renda, para garantir que os jovens permaneçam nas reservas extrativistas com novas oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Durante a celebração, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou a relevância histórica do ICMBio na conservação da biodiversidade. Segundo ela, o órgão representa um marco por aliar conhecimento técnico e sensibilidade ambiental.
“Gestores podem ser de esquerda, de direita, de centro. O que não podem é ser negacionistas em relação ao meio ambiente”, afirmou.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou que a instituição chegou à maioridade com a responsabilidade de cuidar de 344 unidades de conservação, que representam aproximadamente 9,5% do território nacional. Ele reforçou que o grande desafio é manter a preservação da biodiversidade sem deixar de respeitar os direitos das comunidades extrativistas.
As unidades de conservação sofrem diferentes pressões, como a agropecuária ilegal e atividades industriais. Para enfrentar esses riscos, o ICMBio desenvolve planos de ação contra o desmatamento e programas de monitoramento e fiscalização.
Atualmente, o instituto conta com cerca de 1,5 mil servidores, além de 350 novos funcionários aprovados em concurso público. Mesmo assim, segundo Pires, o número ainda é insuficiente para dar conta da dimensão do território sob sua gestão.
O aniversário do ICMBio simboliza não apenas uma trajetória de avanços, mas também a urgência em enfrentar desafios ambientais no Brasil, especialmente diante do desmatamento na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.
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