Expulsa de casa ainda na adolescência por causa de sua identidade de gênero, Amanda Vieira encontrou no acolhimento a oportunidade de reconstruir a própria vida. Hoje, aos 18 anos, a jovem trans estuda, trabalha e planeja o futuro com autonomia, após passar pela ONG Cores, em Petrolina (PE), uma das instituições apoiadas pelo Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+, conhecido como Acolher+.
A trajetória de Amanda é marcada por episódios de rejeição familiar, dificuldades financeiras e exclusão social. Sem o apoio necessário dentro de casa, ela precisou buscar alternativas para continuar estudando e garantir sua sobrevivência.
Ao recordar o passado, Amanda relata que conviveu com a falta de afeto e com situações de discriminação que deixaram marcas profundas. Em meio aos desafios, ela encontrou na educação uma ferramenta para transformar sua realidade.
O ingresso na ONG Cores representou uma mudança significativa em sua vida. No espaço de acolhimento, Amanda recebeu apoio emocional, incentivo aos estudos e acompanhamento para desenvolver sua independência.
Segundo a jovem, a experiência permitiu enxergar novas possibilidades de futuro e romper com estereótipos frequentemente impostos às pessoas trans.
Atualmente, ela cursa Teatro, trabalha como recepcionista em um salão de beleza e divide despesas de moradia com um amigo. Para Amanda, o acolhimento recebido foi fundamental para fortalecer sua autoestima e ampliar suas perspectivas profissionais e pessoais.
Criado em 2023, o Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+ integra a Estratégia Nacional de Enfrentamento à Violência contra Pessoas LGBTQIA+.
A iniciativa tem como objetivo apoiar instituições que oferecem abrigo e assistência a pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social, especialmente aquelas que tiveram vínculos familiares rompidos ou fragilizados em razão da discriminação relacionada à orientação sexual, identidade de gênero ou características sexuais.
Por meio de parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o programa seleciona organizações da sociedade civil para receber apoio financeiro destinado à manutenção das atividades e à ampliação dos serviços oferecidos.
Além de abrigo temporário, as casas de acolhimento desenvolvem ações voltadas à cidadania, qualificação profissional, educação, suporte psicossocial e orientação para acesso a direitos.
Para a presidente da ONG Cores, Alzyr Brasileiro, o apoio oferecido pelo programa representa um marco para as instituições que atuam na defesa da população LGBTQIA+.
Segundo ela, os recursos possibilitam a manutenção dos serviços e garantem melhores condições para atender pessoas que enfrentam situações de abandono, violência e exclusão.
A proposta do Acolher+ é consolidar uma política pública permanente de acolhimento, transformando as casas em espaços de proteção, inclusão e construção de novas oportunidades de vida.
Combate à violência e promoção da cidadania
O programa também busca enfrentar os impactos da LGBTQIAfobia estrutural por meio de ações que promovam o respeito à diversidade, a inclusão social e o fortalecimento dos direitos humanos.
Para a secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, histórias como a de Amanda demonstram a importância de políticas públicas voltadas à proteção e ao desenvolvimento dessa população.
Segundo a gestora, as casas de acolhimento funcionam como pontes para novos projetos de vida, oferecendo suporte para que pessoas LGBTQIA+ superem situações de violência, preconceito e vulnerabilidade.
A experiência de Amanda evidencia como iniciativas de acolhimento podem contribuir para a reconstrução de trajetórias, ampliando oportunidades e fortalecendo a cidadania de pessoas historicamente afetadas pela discriminação.
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