O Governo Federal reforçou na última quarta-feira (10) as medidas de preparação para os impactos do fenômeno El Niño, previsto para ocorrer no segundo semestre de 2026. Em reunião coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), representantes de diversos órgãos federais e instituições de monitoramento climático avaliaram os cenários meteorológicos para os próximos meses e definiram estratégias de prevenção e resposta.
O encontro reuniu especialistas responsáveis por acompanhar a evolução das condições climáticas no país, com foco na análise dos possíveis efeitos do fenômeno em diferentes regiões brasileiras. A Defesa Civil Nacional informou que mantém monitoramento constante e trabalha em conjunto com estados e municípios para minimizar riscos e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos extremos.
Segundo o coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Sedec, Leno Rodrigues de Queiroz, os impactos do El Niño variam conforme a região do país, exigindo planejamento específico para cada cenário.
“Estamos acompanhando atentamente as possibilidades de estiagem, incêndios florestais e chuvas intensas. A Defesa Civil Nacional está em permanente articulação com os órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para orientar estados e municípios e garantir apoio nas ações de enfrentamento”, afirmou.
As projeções climáticas para o trimestre entre junho e agosto indicam um cenário de contrastes no território nacional. Enquanto o centro-sul do Brasil pode registrar índices de chuva acima da média, especialmente no Rio Grande do Sul, as regiões Norte e Nordeste enfrentam risco elevado de estiagem severa.
Especialistas alertam ainda para a possibilidade de aumento dos incêndios florestais e da ocorrência de ondas de calor a partir dos meses de agosto e setembro, especialmente em áreas mais vulneráveis à seca.
Fenômeno é considerado praticamente certo
De acordo com o coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, a formação do El Niño já é considerada uma realidade pelos institutos de monitoramento.
“Temos condições de afirmar que o El Niño vai ocorrer. O que ainda não é possível determinar com precisão é a intensidade que o fenômeno atingirá”, explicou.
O meteorologista Fábio Rocha, da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacou que as previsões atuais apontam para um evento de intensidade moderada a forte, com maior impacto previsto para a primavera.
Segundo ele, o aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico já está sendo observado e tende a se intensificar ao longo dos próximos meses.
Monitoramento diário e atuação integrada
Como parte da estratégia de prevenção, a Sedec realiza reuniões diárias para acompanhar a evolução dos indicadores climáticos e avaliar os relatórios técnicos produzidos pelos centros de pesquisa.
Para o coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres da Sedec, Tiago Schnorr, a antecipação é fundamental para reduzir os danos provocados por eventos extremos.
“Precisamos acompanhar de perto todos os cenários possíveis para que as ações de preparação sejam implementadas antes que os impactos ocorram”, destacou.
Ações envolvem diversos ministérios
O enfrentamento aos efeitos do El Niño contará com uma atuação integrada entre diferentes áreas do Governo Federal. Participaram da reunião representantes dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, da Saúde e dos Direitos Humanos, além de instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Defensoria Pública da União (DPU), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Na última segunda-feira (8), esses órgãos divulgaram uma nota técnica conjunta apontando cerca de 60% de probabilidade de formação do El Niño durante o segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência do fenômeno até os primeiros meses de 2027.
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