A Transpetro registrou, no ano passado, 31 ocorrências de furtos e tentativas de furto em dutos operados pela companhia, número superior aos 25 casos contabilizados em 2024. O resultado interrompe uma trajetória de queda contínua de cerca de 90% desde 2018, quando foram registrados 261 episódios desse tipo. A maior concentração ocorreu no estado de São Paulo, responsável por mais de 70% das ocorrências em 2025.
Responsável por operar uma malha de aproximadamente 8,5 mil quilômetros de dutos em todas as regiões do Brasil, a Transpetro investe anualmente cerca de R$ 100 milhões em ações de prevenção e alerta sobre os riscos à vida humana e ao meio ambiente.
O presidente da estatal de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis, Sérgio Bacci, avalia que o avanço da atividade criminosa é motivo de preocupação, devido ao potencial de provocar acidentes graves, danos ambientais irreparáveis e impactos diretos no abastecimento de combustíveis em infraestruturas essenciais, como hospitais, aeroportos e portos.
“Somos vítimas de um crime grave, que coloca vidas em risco e afeta serviços fundamentais à sociedade. Mesmo com investimentos contínuos em prevenção, da ordem de R$ 100 milhões por ano, as derivações clandestinas aumentaram pela primeira vez em seis anos. Por isso, defendemos uma resposta integrada, envolvendo os órgãos de segurança pública e o endurecimento da legislação para desestimular essa prática criminosa”, afirmou Bacci.
Estados
Em São Paulo, o número de ataques criminosos a dutos operados pela Transpetro subiu de 17 ocorrências em 2024 para 22 em 2025. Com esse crescimento, o estado manteve-se como principal foco das derivações clandestinas no país. Segundo Bacci, os dados indicam uma tendência de alta, já que em 2023 haviam sido registradas 16 ocorrências.
Para o presidente da Transpetro, o aumento dos furtos em São Paulo não pode ser tratado como um fato isolado, mas como um risco estrutural e sistêmico. “O estado concentra a maior malha dutoviária do país, próxima a grandes centros urbanos, com forte mercado consumidor e infraestrutura logística que facilita o escoamento do produto furtado”, explicou.
Minas Gerais também apresentou crescimento, passando de uma ocorrência em 2024 para seis em 2025, o que sinaliza uma possível expansão geográfica das ações criminosas. Goiás registrou um caso no período. Ambos os estados são atravessados pelo Oleoduto São Paulo–Brasília (Osbra), considerado estratégico para o escoamento de derivados de petróleo no país.
Já o Rio de Janeiro apresentou redução expressiva. Em 2020, o estado registrou 13 derivações clandestinas, número que caiu para apenas uma ocorrência em 2025. Para Bacci, o resultado reflete a eficácia das ações integradas com as forças de segurança pública e das medidas preventivas adotadas pela companhia.
Prevenção ao crime
Para este ano, a Transpetro pretende manter a estratégia integrada de combate aos furtos, baseada em três pilares: uso de tecnologia e inteligência para monitoramento e detecção de tentativas de crime; atuação conjunta com órgãos de segurança pública; e relacionamento permanente com as comunidades vizinhas às faixas de dutos.
De acordo com Sérgio Bacci, a Transpetro transporta anualmente cerca de 650 bilhões de litros de petróleo, derivados e biocombustíveis por meio dos dutos, o que reduz significativamente o número de caminhões nas estradas. “Esse modal evita 99,5% das emissões de gases em comparação ao transporte rodoviário. Trata-se de uma operação estratégica que garante eficiência, segurança e menor impacto ambiental, essencial para o abastecimento de combustíveis no Brasil”, concluiu.
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