Flávio Bolsonaro poderá perder o foro por prerrogativa de função ao deixar o Senado, em fevereiro de 2027, e continuar respondendo a investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador é alvo de dois inquéritos que apuram suspeitas de irregularidades financeiras. Ele nega qualquer envolvimento em práticas ilegais.
Com o encerramento do mandato, Flávio deixará de contar com a prerrogativa de foro vinculada ao cargo parlamentar. No entanto, a saída do Senado não significa necessariamente que os processos serão transferidos para outra instância. Conforme o entendimento do STF, investigações relacionadas a crimes supostamente cometidos durante o exercício da função pública podem permanecer na Corte, dependendo das circunstâncias de cada caso.
O cenário também envolve medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, segundo as informações divulgadas. A Polícia Federal teria intimado o senador a entregar seus passaportes, além de cumprir uma determinação que o impede de deixar o Brasil. Essas restrições estão relacionadas a decisões judiciais e não representam, por si só, uma condenação criminal.
Um dos inquéritos apura suspeitas envolvendo um possível pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações buscam esclarecer as circunstâncias das negociações e a origem dos valores destinados ao projeto.
De acordo com informações atribuídas à imprensa, mensagens analisadas no caso indicariam negociações diretas entre Flávio e o banqueiro para viabilizar um repasse de pelo menos US$ 24 milhões à produção. A apuração considera suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades e sustenta que o filme foi financiado com recursos privados.
O segundo inquérito, sob relatoria de Alexandre de Moraes, investiga possíveis irregularidades financeiras relacionadas à relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do senador. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e busca esclarecer a natureza de movimentações financeiras identificadas durante as investigações.
Segundo as informações divulgadas, uma perícia no celular de Willer Tomaz, apreendido durante a Operação Sem Desconto, identificou registros de movimentações consideradas suspeitas, referências a encontros com o senador e documentos pessoais de Flávio armazenados na conta do advogado no iCloud.
A Polícia Federal também apura a informação de que Flávio teria acesso com perfil de “usuário master” a uma conta bancária vinculada à holding Alcazar, ligada a Willer Tomaz. O senador nega irregularidades. A defesa do advogado afirma que as empresas envolvidas atuam legalmente e que a relação entre os dois é de amizade.
O andamento dos dois casos dependerá das diligências policiais, da análise das provas e das decisões judiciais. Até que haja uma decisão definitiva, as suspeitas investigadas não equivalem a culpa comprovada, e os citados mantêm o direito à ampla defesa e ao contraditório.
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