O número de escolas públicas sem acesso à água no Brasil caiu significativamente entre 2024 e 2025, segundo dados do Censo Escolar divulgados em fevereiro. Apesar da redução pela metade, ainda existem 1.203 unidades de ensino onde cerca de 75 mil estudantes não têm acesso garantido a esse direito básico.
Às vésperas do Dia Mundial da Água, o Fundo das Nações Unidas para a Infância reforçou a necessidade de apoio institucional para enfrentar o problema. A entidade destaca que a ausência de água impacta diretamente a higiene, a saúde, a alimentação escolar e a dignidade menstrual, fatores essenciais para o aprendizado.
A situação é mais crítica nas zonas rurais, que concentram 96% das escolas sem abastecimento. De acordo com Rodrigo Resende, oficial de Água, Saneamento e Higiene do Unicef no Brasil, o cenário reflete um déficit histórico e desafios estruturais na implementação de políticas públicas.
Segundo ele, regiões como a Amazônia e o Semiárido enfrentam maiores dificuldades, o que exige ações coordenadas entre governos e instituições.
Resende defende que a solução passa por investimentos contínuos, capacitação de técnicos e fortalecimento da gestão local. Ele também ressalta a importância do envolvimento das comunidades e da adoção de soluções adaptadas às realidades de cada território, incluindo o uso de fontes renováveis de energia.
Avanços e disparidades
Os dados mostram que mais de 100 mil estudantes passaram a ter acesso à água no último ano. Em 2024, cerca de 179 mil alunos estavam sem abastecimento em 2.512 escolas. Em 2025, esse número caiu para 75 mil.
Apesar do avanço, persistem desigualdades sociais e raciais. Estudantes negros são maioria nas escolas ainda afetadas pela falta de água, e há também presença significativa de crianças e adolescentes indígenas.
Outro ponto de atenção é o impacto sobre meninas e mulheres. A falta de infraestrutura adequada dificulta a permanência na escola durante o período menstrual, o que pode levar à ausência nas aulas e prejudicar o desempenho escolar.
A escassez de água nas escolas compromete não apenas a hidratação dos alunos, mas também condições básicas de higiene e a preparação da merenda escolar. Esses fatores são considerados fundamentais para garantir saúde, bem-estar e qualidade no processo de aprendizagem.
Além disso, a necessidade de buscar banheiros adequados fora do ambiente escolar pode expor estudantes, especialmente meninas, a situações de risco.
O Unicef tem atuado em diferentes frentes para enfrentar o problema. Entre as iniciativas, estão a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no estado do Amazonas e a ampliação de estruturas de atendimento no território Yanomami, em Roraima.
A organização também trabalha no apoio a gestores públicos, com foco no fortalecimento de políticas e estratégias que garantam o acesso universal à água nas escolas brasileiras.
Compartilhe esta reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


