O Exército Brasileiro já iniciou o planejamento das ações de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) para a Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027. A competição será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho do próximo ano e reunirá delegações, atletas, torcedores, dirigentes e profissionais de imprensa de diferentes países.
Como parte dessa preparação, o Estado-Maior do Exército e o Comando Logístico promoveram, nos dias 29 e 30 de setembro, um simpósio dedicado ao apoio de saúde em operações de DQBRN. O encontro ocorreu no Quartel-General do Exército, em Brasília, e reuniu representantes das Forças Armadas, forças auxiliares, ministérios e outros órgãos governamentais.
A programação teve como objetivo ampliar a integração entre as instituições envolvidas, compartilhar experiências e identificar procedimentos que possam contribuir para a preparação das equipes. A discussão também considerou as características das oito cidades que receberão partidas: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Representantes das organizações militares situadas nas cidades-sede acompanharam parte das atividades por videoconferência.
Durante a abertura do encontro, o general de brigada médico José Oiticica Moreira, da Divisão de Saúde Operacional do Comando Logístico, destacou a importância do planejamento conjunto diante da dimensão da competição. Segundo ele, a proximidade do evento exige que as instituições envolvidas definam previamente procedimentos e responsabilidades para eventuais situações que demandem uma resposta especializada.
Outra atividade prevista para reforçar a preparação brasileira será o NCT Pro Challenge, marcado para março de 2027, no Rio de Janeiro. O treinamento internacional reunirá equipes especializadas em respostas a emergências químicas, biológicas, radiológicas e nucleares e será realizado pela primeira vez na América do Sul.
A experiência acumulada pelo Brasil em grandes eventos também foi apresentada durante o simpósio. O general de brigada Abelardo Prisco de Souza Neto, comandante de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército, citou operações realizadas em competições esportivas e o trabalho desenvolvido após o acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987.
A preparação envolve diferentes áreas, como atendimento médico, logística, estrutura hospitalar, inteligência, segurança e sistemas de comando e controle. Para a diretora do Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa, brigadeiro médica Carla Regina Marchon, a integração entre instituições é necessária para organizar uma resposta coordenada diante de situações de maior complexidade.
O Exército brasileiro reúne experiência em operações de segurança de grandes eventos desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. A atuação também ocorreu nos Jogos Mundiais Militares de 2011, na Conferência Rio+20, em 2012, na Copa das Confederações de 2013, na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. De acordo com o Exército, as experiências acumuladas nessas operações contribuíram para o aprimoramento de protocolos, equipamentos e capacitação das equipes que poderão atuar na Copa do Mundo Feminina de 2027.
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