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Estudo da Oxfam alerta: transição energética global repete padrões coloniais e amplia desigualdade

Relatório mostra que países ricos concentram consumo e investimentos em energia renovável, enquanto o Sul Global arca com os impactos sociais e ambientais.

redação Por redação
30/09/2025 - 15:44
em Brasil
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Relatório da Oxfam Brasil aponta que a transição energética global mantém desigualdades históricas: países ricos concentram 75% dos investimentos, enquanto o Sul Global sofre com pobreza energética e exploração de recursos.

Imagem:Agência Brasil

Um estudo publicado pela Oxfam Brasil denuncia que o modelo atual de transição energética segue repetindo padrões coloniais e de desigualdade. O relatório Transição Injusta: Resgatando o Futuro Energético do Colonialismo Climático analisa dados dos últimos 60 anos e alerta que o Norte Global consumiu 3.300 petawatts-hora (PWh) de energia além do necessário para atender às necessidades básicas da população mundial.

Segundo o estudo, esse excedente seria suficiente para suprir, por 20 anos, o consumo básico de eletricidade de todas as pessoas que ainda vivem sem acesso à energia.

No Brasil, o Censo 2022 do IBGE revelou que 99,8% dos domicílios têm energia elétrica. Ainda assim, cerca de 400 mil pessoas seguem sem acesso ao serviço.

Desigualdade na transição energética

De acordo com a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, a transição em curso repete erros do passado:

“Ao invés de corrigir as desigualdades históricas, o modelo atual reproduz a pobreza energética e reforça um padrão colonial”, afirma.

Embora o Sul Global concentre 70% das reservas de minerais críticos para energias renováveis, apenas uma pequena parcela dos investimentos chega à região. Em 2024, os recursos se distribuíram assim:

  • 46% no Norte Global;
  • 29% na China;
  • 3% na América Latina;
  • 2% no Sudeste Asiático, Oriente Médio e África.

O contraste é ainda mais alarmante na África Subsaariana, que abriga 85% da população mundial sem acesso à eletricidade, mas recebeu apenas 2% dos investimentos globais em renováveis.

Impactos sobre comunidades tradicionais

O relatório também denuncia que 22,7 milhões de km² de terras indígenas e comunidades tradicionais estão ameaçados por atividades industriais ligadas à mineração de minerais estratégicos para a transição energética. Essa área supera a soma dos territórios do Brasil, Estados Unidos e Índia.

Justiça energética e recomendações

Para a Oxfam, é urgente adotar o princípio das responsabilidades compartilhadas, porém diferenciadas, assegurando que países mais poluentes assumam maiores compromissos ambientais.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • reformas no sistema financeiro global;
  • maior governança energética internacional;
  • proteção às comunidades tradicionais;
  • distribuição justa dos benefícios da transição energética.

“São desafios do nosso tempo, e precisamos de diálogo e pressão social para garantir que essa seja uma transição justa”, reforça Viviana Santiago.

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Tags: #energia renovávelcolonialismo climáticoComunidades Tradicionaisdesigualdade globalinvestimentos em energiajustiça energéticaminerais críticosOxfam Brasilpobreza energéticatransição energética
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