Equilibrar as finanças pessoais continua sendo um grande desafio para os brasileiros. Com crédito caro, inflação persistente e baixa cultura de poupança, quase 80% das famílias estão endividadas. Entre adultos, 43,1% possuem o nome negativado, o que representa 71,7 milhões de pessoas em agosto de 2025 — um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil.
O endividamento atingiu 78,8% das famílias, com 30,4% delas com dívidas em atraso, o maior índice desde novembro de 2022. Em comparação com 2018, quando 60,3% das famílias estavam endividadas, o aumento é de quase 20 pontos percentuais. Economistas apontam que a falta de educação financeira é um fator crítico para o descontrole das contas, com o crédito sendo usado para despesas diárias em vez de investimentos ou bens duráveis.
“Quando uma pessoa está inadimplente, ela não consegue consumir nem financiar bens duráveis, prejudicando o orçamento doméstico e a economia como um todo”, alerta o economista William Baghdassarian, do Ibmec.
O uso incorreto do crédito é um dos principais motivos do endividamento. O consultor legislativo e tributarista Edilson Araújo explica que o crédito deixou de ser uma ferramenta de conquistas importantes e passou a complementar a renda para pagar contas do dia a dia. Além disso, os altos juros — principalmente do cartão de crédito e do cheque especial — tornam o crédito ainda mais oneroso.
Educação financeira na prática
Para combater o problema, escolas de algumas regiões já incluem educação financeira em seus currículos. Em Corbélia (PR), o Colégio Estadual Duque de Caxias ensina orçamento, investimentos e planejamento de carreira aos alunos do Novo Ensino Médio, com simulações de entrevistas de emprego e elaboração de currículos.
A diretora Nilcea Schwambach ressalta que o projeto conecta o conhecimento à realidade, permitindo que os estudantes compreendam a importância do planejamento financeiro. Alunos relatam que aprender a organizar gastos, compreender juros e poupar tem impactado diretamente suas decisões.
Ações no Senado
Parlamentares discutem a inclusão da educação financeira como disciplina obrigatória na educação básica. O PL 5.950/2023, do senador Izalci Lucas, e o PL 1.510/2025, do senador Nelsinho Trad, buscam orientar os jovens desde cedo, prevenindo endividamento e estimulando a poupança, especialmente diante do aumento das apostas online entre 16 e 29 anos.
Campanhas de conscientização também estão em pauta. O PL 3.329/2025 propõe destinar ao menos 1% do orçamento federal de publicidade institucional para divulgar a importância da educação financeira. O senador Confúcio Moura compara a iniciativa à mudança de hábitos de segurança no trânsito e combate ao tabagismo, defendendo a educação financeira como uma política de prevenção social.
Segundo o Banco Mundial, a poupança familiar brasileira representa menos de 15% do PIB, metade do registrado na China e na Índia, países que incorporam educação financeira desde cedo como valor cultural.
A inclusão da educação financeira em escolas e campanhas de conscientização é vista como caminho estratégico para reduzir o endividamento, aumentar a poupança e preparar os brasileiros para tomar decisões financeiras mais conscientes.
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