Celebrado nesta quinta-feira (5), o Dia Mundial da Eficiência Energética chama atenção para a importância de utilizar a energia de forma mais inteligente e sustentável. No Brasil, políticas públicas e investimentos em programas estratégicos têm fortalecido iniciativas que buscam produzir mais utilizando menos recursos energéticos.
A eficiência energética vai além da adoção de novas tecnologias. Ela envolve práticas presentes no cotidiano de residências, empresas e cidades, incentivando escolhas que reduzem o desperdício de energia e aumentam a produtividade.
Desde a década de 1980, o país desenvolve iniciativas voltadas ao uso consciente da eletricidade. Um dos principais marcos foi a criação do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
O programa incentiva consumidores e empresas a adotarem equipamentos e práticas mais eficientes. Um dos símbolos mais conhecidos da iniciativa é o Selo Procel, identificado pela tradicional lâmpada sorridente nas cores amarelo e preto, que orienta a população a escolher produtos com menor consumo de energia.
Investimentos em eficiência
Além de orientar os consumidores, o Procel também financia projetos voltados à eficiência energética em todo o país. No quinto Plano de Aplicação de Recursos (5º PAR), mais de R$ 450 milhões foram destinados a iniciativas que buscam reduzir desperdícios e aumentar a produtividade energética.
Os esforços também avançam no setor industrial. O MME anunciou recentemente a expansão nacional do Programa Investimentos Transformadores de Eficiência Energética na Indústria (PotencializEE), voltado a micro, pequenas e médias empresas.
Com investimento previsto de R$ 75 milhões, o programa oferece capacitação para profissionais especializados, identifica indústrias com potencial de melhoria no uso de energia e facilita o acesso a linhas de crédito para implementação de projetos mais eficientes.
A iniciativa é realizada em parceria com a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o próprio Procel.
Planejamento para o futuro energético
O avanço das políticas de eficiência energética também aparece no planejamento estratégico do setor elétrico brasileiro. Estudos como o Plano Decenal de Expansão de Energia e o Plano Nacional de Energia 2055 apontam que o uso eficiente da energia será decisivo para atender a demanda futura do país.
De acordo com estimativas do plano, atualmente em consulta pública, as medidas de eficiência energética podem suprir entre 22% e 27% da demanda potencial de energia nas próximas três décadas — percentual superior ao de qualquer fonte energética individual no sistema, além de apresentar custos significativamente menores.
Eficiência também nas construções
Outra frente recente envolve o setor da construção civil. O Comitê Gestor de Índices e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), presidido pelo MME, publicou resolução que estabelece índices mínimos de eficiência energética para novas edificações.
A medida incentiva projetos arquitetônicos mais sustentáveis, que aproveitem melhor a iluminação natural, aumentem o conforto térmico e reduzam o consumo de eletricidade.
Compromissos climáticos
O Brasil também participa de iniciativas internacionais voltadas à eficiência energética. Durante a COP28, o país aderiu a um acordo global que busca dobrar o ritmo anual de melhoria da eficiência energética até 2030.
Com isso, o país reforça seu compromisso com a agenda climática e com a transição energética, processo que busca tornar o sistema energético mais sustentável e eficiente.
Ao longo das últimas décadas, o Brasil tem avançado nesse campo acompanhando mudanças sociais, econômicas e tecnológicas. A tendência é que a eficiência energética continue desempenhando papel central na redução do consumo e na melhor utilização dos recursos disponíveis.
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