O desmatamento na Amazônia Legal apresentou uma redução histórica nos últimos meses, segundo dados divulgados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números foram apresentados nesta quinta-feira (11) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.
De acordo com o levantamento, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 37,5% no acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, em comparação com o mesmo período anterior. O resultado representa o menor índice registrado desde o início da série histórica do Deter, em 2016.
Quando analisado apenas o mês de maio, a redução foi ainda mais expressiva. Os dados apontam recuo de 61,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, configurando a maior queda já registrada pelo sistema para esse período.
No Cerrado, o cenário também apresentou melhora. O bioma registrou redução de 8,2% no acumulado dos últimos dez meses e queda de 12,2% apenas em maio na comparação anual.
Durante o encontro, o presidente Lula destacou que prevenir o desmatamento é mais eficiente e menos oneroso do que enfrentar os impactos ambientais provocados pela devastação.
Segundo ele, o combate ao desmatamento faz parte de uma estratégia nacional que envolve União, estados e municípios.
Meta é zerar o desmatamento até 2030
O presidente reforçou que a meta de zerar o desmatamento até 2030 é uma decisão assumida pelo governo brasileiro e que a preservação ambiental pode ser economicamente mais vantajosa do que a exploração predatória dos recursos naturais.
Lula também ressaltou a importância da participação dos municípios nas ações de monitoramento, fiscalização e preservação ambiental.
Fiscalização e monitoramento ampliados
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, atribuiu os resultados ao fortalecimento das ações de fiscalização e monitoramento ambiental.
Segundo ele, o desempenho registrado em maio é considerado histórico, especialmente porque o período costuma coincidir com o aumento das atividades ilegais em razão do início da estação seca na Amazônia.
A expectativa do governo é encerrar o atual ciclo de monitoramento com o menor índice anual de desmatamento da história recente da região.
Ciência e tecnologia como aliadas
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que os resultados refletem a integração entre políticas públicas, ciência e tecnologia.
Ela ressaltou o papel do Inpe no monitoramento ambiental e afirmou que os dados produzidos pelo instituto são reconhecidos internacionalmente pela precisão e confiabilidade.
Segundo a ministra, o acompanhamento constante do território nacional fortalece tanto a proteção ambiental quanto a credibilidade dos produtos brasileiros em mercados internacionais.
Investimentos e ações de combate ao desmatamento
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, André Lima, apresentou um balanço das ações implementadas pelo governo federal.
Entre as medidas destacadas estão a retomada dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento em todos os biomas brasileiros, a reativação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e a ampliação dos investimentos do Fundo Amazônia.
Segundo o governo, o fundo aprovou 153 projetos que alcançam cerca de 75% dos municípios da Amazônia Legal.
Além disso, operações de fiscalização realizadas pelo Ibama e pelo ICMBio resultaram em aumento das autuações e embargos ambientais, enquanto a Advocacia-Geral da União intensificou ações judiciais contra infratores ambientais.
Combate aos incêndios também foi reforçado
As ações de prevenção e combate aos incêndios florestais também foram ampliadas. Atualmente, a estrutura federal conta com 240 brigadas especializadas, reunindo mais de 4,4 mil brigadistas.
O aparato operacional inclui helicópteros, aviões de combate ao fogo e veículos especiais para atuação em áreas de difícil acesso.
Municípios apresentam redução expressiva
O governo informou ainda que municípios prioritários contemplados pelo Programa União com Municípios registraram redução de 65,5% nos índices de desmatamento entre 2022 e 2025.
Na área de influência da BR-319, um dos principais corredores da Amazônia, os alertas caíram quase 70% no mesmo período.
Observatório monitora toda a Amazônia
Durante a visita presidencial, técnicos do Observatório Regional Amazônico apresentaram ferramentas utilizadas para monitorar a bacia amazônica em diversos países da América do Sul.
O sistema acompanha indicadores como recursos hídricos, focos de calor, áreas queimadas e desmatamento, utilizando imagens de satélites e dados públicos internacionais.
Segundo especialistas do ORA, o monitoramento integrado é fundamental para subsidiar decisões estratégicas voltadas à preservação de um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
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