A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) consolidou o modelo como uma política pública de inclusão e democratização do acesso ao serviço público federal. Dados apresentados nesta terça-feira (17) pela ministra Esther Dweck mostram que 40,5% dos aprovados ingressaram por meio de políticas de cotas.
Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o concurso aprovou 3.649 candidatos de 578 municípios, abrangendo todos os estados brasileiros.
Inclusão e diversidade em alta
Segundo a ministra, o CPNU faz parte de um conjunto de ações voltadas à modernização do Estado e à reconstrução da capacidade do serviço público.
Entre os aprovados pelas políticas de inclusão estão:
- 29,7% pessoas negras
- 2% pessoas indígenas
- 1,2% pessoas quilombolas
- 7,6% pessoas com deficiência
O percentual de aprovados por cotas cresceu em relação à primeira edição, quando era de 33,6%, evidenciando avanço na representatividade social.
“A proposta é construir um serviço público com a cara do Brasil, refletindo a diversidade da população”, afirmou Esther Dweck.
Participação feminina cresce
Outro destaque do CPNU 2 é o aumento da presença feminina. As mulheres representam 48,4% dos aprovados, um crescimento significativo em relação aos 37% registrados na primeira edição.
Entre os inscritos, a participação feminina também foi majoritária, com 60% das candidaturas.
Alcance nacional ampliado
O concurso também reforçou a diversidade regional. A distribuição dos aprovados ficou assim;
- Sudeste: 34,5%
- Nordeste: 29,3%
- Centro-Oeste: 25,3%
- Sul: 5,7%
- Norte: 5,2%
A região Nordeste, por exemplo, ampliou sua participação em relação à edição anterior, passando de 26% para 29,3%.
As provas foram realizadas em 228 cidades, com candidatos aprovados em 196 desses municípios, demonstrando a capilaridade do modelo, que permite a realização das provas próximas ao local de residência.
Recomposição do serviço público
O CPNU integra um esforço do governo federal para recompor o quadro de servidores. Entre 2023 e março de 2026, 19.381 pessoas ingressaram no serviço público federal por meio de concursos, enquanto 16.546 servidores se aposentaram.
A expectativa é de que cerca de 70 mil servidores deixem o serviço público até 2030, o que reforça a necessidade de novos processos seletivos.
Segundo a ministra, todo o processo foi conduzido dentro dos limites fiscais, sem aumento da despesa com pessoal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Expansão do modelo
A segunda edição também ampliou a adesão de órgãos públicos, passando de 21 para 32 instituições participantes, consolidando o concurso unificado como um novo modelo de seleção no país.
Além disso, o CPNU 2 ofertou 3.652 vagas e contou com mais de 761 mil inscritos, mantendo-se entre os maiores concursos do Brasil.
Próximas etapas
Com a divulgação do resultado final, o processo entra agora na fase de convocação e cumprimento das etapas administrativas, como cursos de formação e investigações funcionais, conforme exigido para alguns cargos.
Os resultados podem ser consultados no portal da Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela organização do certame.
O CPNU 2 marca uma nova etapa na modernização do acesso ao serviço público, com foco em eficiência, inclusão e representatividade.
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