Mais importante do que o encerramento oficial da COP 30 é o resultado que ela entregará ao planeta. Essa é a posição defendida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e pelo presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago. Ambos reforçam que o foco principal das negociações é avançar em temas centrais para enfrentar a crise climática, como mitigação, adaptação e financiamento.
Em sessão plenária nesta sexta-feira (21), na Zona Azul, em Belém, Marina Silva sinalizou que a conferência pode se estender além do prazo oficial. “A COP terá o tempo que se fizer necessário para dar conta dos temas que são importantes para o equilíbrio do planeta, para a vida das pessoas. O objetivo é que os trabalhos aconteçam com intensidade, mas com tempo suficiente para chegarmos aos melhores resultados”, afirmou.
Possível prorrogação após incêndio
O encerramento permanece previsto para esta sexta-feira, mas a possibilidade de prolongamento ganhou força após o incêndio que atingiu na quinta (20) um dos pavilhões da área das delegações nacionais. O incidente motivou a evacuação da Zona Azul e a realização de inspeções rigorosas. O fogo foi controlado em cerca de seis minutos, graças à ação de bombeiros e brigadistas, e o espaço foi liberado na mesma noite – exceto a área diretamente atingida. As negociações foram retomadas ainda na quinta e seguiram nesta sexta-feira.
Em entrevista à TV Brasil, André Corrêa do Lago afirmou que o episódio alterou o ritmo da agenda e que a dedicação às consultas bilaterais e aos grupos de negociação foi redobrada. “As negociações seguem ao longo de todo o dia e iremos até onde for necessário. As COPs, em geral, costumam ultrapassar o prazo original. Estávamos tentando evitar isso, mas vamos ver como evolui”, explicou. Segundo ele, só no fim da tarde deverá haver clareza sobre uma possível prorrogação.
Resultados acima do calendário
Para Marina Silva, o prazo formal é secundário diante da necessidade de entregar avanços concretos. A ministra destaca que as discussões precisam garantir progresso real nas frentes decisivas para enfrentar o aquecimento global.
Entre elas, ela cita:
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Financiamento climático, essencial para apoiar países mais vulneráveis;
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Mitigação, com medidas que enfrentem as causas da mudança do clima;
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Adaptação, com construção de resiliência às novas condições ambientais;
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Temas transversais, como justiça climática, gênero e coordenação entre convenções internacionais.
Marina avalia que o documento final dificilmente estará 100% concluído até o último minuto, já que as contribuições chegam continuamente. “É um processo dinâmico. Há um esforço muito grande para avançar nas negociações, especialmente nas agendas de adaptação e financiamento”, afirmou.
A ministra reforça que sem recursos financeiros adequados, os países mais vulneráveis não conseguirão lidar com os impactos já em curso. Além disso, destaca a importância de enfrentar as causas estruturais da crise: reduzir a dependência de combustíveis fósseis e combater o desmatamento.
COP da Implementação
Marina Silva lembra que o Brasil exerce a presidência da COP, mas os resultados dependem de todos os países presentes. “O Brasil tem a liderança da conferência, mas quem vai fazer dela a COP da Verdade, da Implementação, é o conjunto das nações aqui representadas. É um processo multilateral, não unilateral”, afirmou.
Mesmo diante da tensão diplomática e da complexidade das negociações, Marina diz que permanece otimista: “O objetivo não é apenas terminar no prazo, mas entregar o resultado exigido diante da mudança do clima.”
A COP 30 segue com negociações intensificadas e foco em destravar compromissos que tornem possível limitar os efeitos do aquecimento global nas próximas décadas.
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