Com o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) reúne especialistas e representantes de diversos países em Campo Grande, no bioma Pantanal. O encontro internacional tem como foco principal ampliar a proteção de espécies migratórias ameaçadas.
Conhecida como COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, a conferência discute a inclusão de novas espécies nos apêndices do acordo internacional, que determinam níveis de proteção e cooperação entre países.
Os Apêndices I e II são os principais instrumentos da convenção. O primeiro reúne espécies ameaçadas de extinção que exigem medidas rigorosas de preservação. Já o segundo contempla aquelas que dependem de ações coordenadas entre países ao longo de suas rotas migratórias.
O Brasil participa ativamente das discussões, com propostas elaboradas com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Os estudos são baseados em pesquisas científicas e nos Planos de Ação Nacional voltados à proteção de espécies ameaçadas.
O trabalho envolve monitoramento de populações, pesquisas de campo, educação ambiental e articulação com universidades, organizações e comunidades locais. Essa estrutura permite que o país implemente, internamente, os compromissos assumidos no cenário internacional.
Aves migratórias em destaque
Entre os grupos com maior número de propostas estão as aves migratórias, especialmente aquelas que dependem de áreas úmidas e ambientes costeiros.
Espécies como o maçarico-de-bico-torto apresentam queda populacional significativa, estimada em cerca de 70% nas últimas décadas. Já o maçarico-de-bico-virado enfrenta uma situação ainda mais crítica, com redução superior a 95% desde os anos 1980.
Outra proposta envolve o caboclinho-do-pantanal, ave recentemente descrita pela ciência e ameaçada pela perda de habitat em países da América do Sul.
Além disso, aves marinhas que percorrem longas distâncias entre o Ártico e a América do Sul também estão no centro das discussões, reforçando a necessidade de cooperação internacional.
A conferência também debate a conservação de espécies aquáticas que atravessam fronteiras, como peixes, tubarões e cetáceos.
Entre os destaques está o pintado, peixe migratório de grande importância ecológica e econômica na América do Sul. Sua preservação depende de ações conjuntas entre países que compartilham bacias hidrográficas.
Tubarões como o martelo e o tubarão-raposa também estão entre as espécies propostas para inclusão em listas de proteção mais rigorosa, devido à vulnerabilidade à pesca excessiva.
Outro ponto relevante é a proteção da toninha, considerada o pequeno golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul, além de iniciativas voltadas ao boto-de-Lahille, espécie costeira do sul do continente.
A conferência também discute um plano de ação para espécies amazônicas como a dourada e a piraíba, conhecidas por realizar algumas das maiores migrações em rios do mundo.
Fauna terrestre e desafios crescentes
Entre os animais terrestres, dois símbolos da biodiversidade sul-americana estão em destaque: a ariranha e a onça-pintada.
A ariranha, maior lontra do mundo, já conta com ações de conservação no Brasil, mas enfrenta desafios relacionados à convivência com comunidades e à preservação dos ambientes aquáticos.
Já a onça-pintada continua sendo foco de atenção internacional. A espécie, presente em diversos países das Américas, sofre com a perda de habitat, fragmentação ambiental e conflitos com atividades humanas.
Durante a COP15, os países discutem estratégias para ampliar a conectividade entre áreas naturais e fortalecer políticas de coexistência entre humanos e grandes predadores.
Cooperação internacional como chave
Especialistas destacam que a conservação de espécies migratórias depende diretamente da cooperação entre países. Sem dados integrados e ações conjuntas, torna-se difícil compreender o real estado das populações e implementar medidas eficazes.
A COP15 reforça a importância desse esforço coletivo, reunindo experiências de diferentes regiões do mundo e promovendo soluções para desafios comuns, como degradação ambiental e mudanças climáticas.
Ao final da conferência, espera-se que novas espécies sejam incluídas nos mecanismos de proteção internacie que estratégias mais robustas sejam adotadas para garantir a sobrevivência da fauna global.
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