O agricultor Joaquim Moreira, de 86 anos, morador da comunidade de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), viveu uma sexta-feira (22) histórica. Com chapéu preto e camisa azul, recebeu em Brasília o certificado de autorreconhecimento de comunidade remanescente de quilombo, entregue pela Fundação Cultural Palmares no aniversário de 37 anos da entidade. O documento foi entregue pelo presidente João Jorge Rodrigues e pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.
A certificação marca o primeiro passo para que o Incra realize estudo antropológico sobre a presença centenária da comunidade, antes chamada de “Antinha dos Pretos”. Além disso, garante acesso a políticas públicas e fortalece a defesa do território, que já sofreu ameaças de desocupação.
“Estivemos bem próximos de perder nossa casa. O certificado nos defende”, destacou Willianderson Moreira, liderança local.
O evento também celebrou a entrega de certificado à comunidade urbana de Baixa da Xanda, em Parintins (AM), reconhecida por sua ligação histórica com o Boi Garantido. Maria do Carmo Monteverde, de 86 anos, emocionou o público ao cantar em homenagem aos antepassados.
Durante a cerimônia, o primeiro presidente da Fundação Palmares, Carlos Alves, defendeu a igualdade como pilar da democracia. Também foram anunciadas uma parceria com a Universidade de Brasília para criação de uma plataforma de documentação de povos quilombolas e terreiros e o lançamento de uma cartilha antirracista.
A ministra Margareth Menezes ressaltou a importância das políticas de reparação e da valorização cultural negra. “Precisamos fortalecer a salvaguarda dos nossos valores”, afirmou.
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