O Conselho Monetário Nacional aprovou, a Resolução nº 5.288, que amplia as possibilidades de financiamento dentro do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro).
Com a nova norma, produtores rurais passam a ter acesso a crédito para aquisição de sêmen, óvulos e embriões, além de serviços como inseminação artificial e transferência de embriões. As medidas contemplam bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos.
A iniciativa fortalece o uso de biotecnologias reprodutivas no campo, com potencial para elevar a produtividade e reduzir impactos ambientais.
Mais produtividade com menor impacto ambiental
O RenovAgro é o principal programa de crédito rural voltado à agropecuária de baixo carbono no Brasil. A inclusão do melhoramento genético animal entre as atividades financiáveis reforça a estratégia de tornar a produção mais eficiente e sustentável.
Estudos técnicos apontam que a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir significativamente a emissão de carbono na pecuária;
- Até 37% menos emissões por litro de leite
- Até 49% menos emissões por quilo de carne produzida
Esses ganhos estão associados à melhoria nos índices produtivos, como:
- Redução da idade ao primeiro parto (de 48 para 24 meses)
- Aumento da taxa de desmame (de 60% para 80%)
Essas mudanças contribuem diretamente para aumentar a competitividade da pecuária brasileira.
A nova resolução altera o Manual de Crédito Rural (MCR) e permite que produtores utilizem integralmente o limite de financiamento do programa — atualmente de até R$ 5 milhões — para investir em material genético e tecnologias reprodutivas.
As condições incluem:
- Prazo de financiamento de até cinco anos
- Carência de até 12 meses após a contratação
Além disso, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar também foi atualizado, ampliando o acesso de agricultores familiares às mesmas tecnologias, com condições diferenciadas, especialmente para a pecuária leiteira.
Estratégia para pecuária de baixo carbono
A medida integra a política do Ministério da Agricultura e Pecuária para incentivar sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.
A lógica é aumentar a produção com menor uso de recursos naturais, reduzindo custos e emissões de gases de efeito estufa.
Segundo especialistas, rebanhos com maior eficiência reprodutiva permitem produzir mais com menos matrizes, o que reduz o consumo de insumos e o impacto ambiental, beneficiando produtores, o setor agropecuário e o meio ambiente.
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