O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo brasileiro considera injustificada a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A declaração foi feita durante pronunciamento à imprensa na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, após o anúncio da medida pelo governo norte-americano.
Segundo o chanceler, a decisão tem caráter unilateral e foi tomada com base em uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a chamada Seção 301, instrumento utilizado pelo país para apurar supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Vieira destacou que o Brasil manteve diálogo constante com autoridades dos Estados Unidos desde março de 2025, com mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone, envolvendo representantes técnicos, ministros e os presidentes dos dois países.
De acordo com o ministro, as negociações já estavam em andamento antes mesmo do primeiro anúncio de tarifas, feito em abril de 2025. Ele lembrou que, inicialmente, os produtos brasileiros receberam a menor alíquota aplicada pelos Estados Unidos, de 10%.
Durante o pronunciamento, Mauro Vieira afirmou que a elevação das tarifas para 50%, anunciada posteriormente, ocorreu após correspondência enviada pelo presidente dos Estados Unidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o chanceler, a medida teve motivação política e representou uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.
O ministro também criticou declarações recentes do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificando as manifestações como ofensivas ao governo brasileiro e ao povo brasileiro.
Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro permaneceu aberto ao diálogo durante todo o processo, mas alegou que algumas exigências apresentadas pelos Estados Unidos eram consideradas incompatíveis com os interesses nacionais.
Segundo ele, entre as propostas discutidas estavam pedidos de ampla abertura de setores da economia brasileira para empresas norte-americanas, sem contrapartidas equivalentes para os produtos brasileiros.
O chanceler ressaltou ainda que os Estados Unidos registraram superávit acumulado de US$ 424 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
Também afirmou que, atualmente, a maior parte dos produtos importados dos Estados Unidos entra no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação, incluindo oito dos dez principais itens exportados pelo país ao Brasil.
No pronunciamento, Mauro Vieira contestou os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a investigação comercial.
Entre os pontos citados, o ministro classificou como improcedentes as alegações envolvendo o sistema de pagamentos Pix, destacando que a ferramenta é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e disponível para todas as instituições financeiras autorizadas a operar no país.
O chanceler também rejeitou críticas relacionadas ao desmatamento, afirmando que o Brasil reduziu significativamente os índices de devastação na Amazônia e no Cerrado nos últimos anos.
Ao encerrar a declaração, Mauro Vieira reiterou que o governo brasileiro considera que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas não correspondem aos fatos e reforçou que o país continuará utilizando os canais diplomáticos e os mecanismos previstos no comércio internacional para defender seus interesses.
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