As inscrições para o Concurso Arquitetura Indígena no Brasil, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), foram encerradas. A iniciativa inédita busca reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, destacando sua contribuição para a arquitetura, o urbanismo e o desenvolvimento de soluções sustentáveis.
Idealizado pela Comissão de Políticas Urbanas e Ambientais do CAU/BR, o concurso pretende ampliar o reconhecimento das técnicas construtivas indígenas, valorizando práticas que há séculos utilizam materiais naturais e soluções adaptadas às condições climáticas e ambientais do país.
Segundo a presidente em exercício do CAU/BR, Leila Marques, muitos conceitos considerados inovadores atualmente, como as soluções baseadas na natureza, já fazem parte do cotidiano das comunidades indígenas há gerações.
Entre os materiais tradicionalmente utilizados estão madeira, bambu, palha, cipós e fibras naturais, elementos renováveis que apresentam baixo impacto ambiental e são empregados em construções adaptadas ao clima local.
Esta é a primeira vez que o sistema CAU/BR realiza um concurso voltado exclusivamente à arquitetura indígena e à contribuição dos povos originários para o desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo brasileiros.
Os 13 melhores trabalhos de cada categoria serão reunidos em uma publicação inédita, que abordará temas relacionados à arquitetura, cultura, território, sustentabilidade e preservação dos conhecimentos tradicionais.
O concurso recebe inscrições de projetos técnicos de arquitetura e artigos acadêmicos ou científicos. Podem participar arquitetos e urbanistas, pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação, profissionais de áreas correlatas e integrantes de grupos de pesquisa que desenvolvam estudos sobre arquitetura indígena, ocupação tradicional do território, preservação cultural, sustentabilidade e Amazônia Legal.
Os trabalhos podem abordar diferentes aspectos da arquitetura dos povos originários, como habitações, espaços coletivos, locais destinados a celebrações culturais e religiosas, além de técnicas construtivas tradicionais utilizadas pelas comunidades indígenas.
Entre os exemplos destacados pelo CAU/BR estão sistemas construtivos que dispensam o uso de pregos e parafusos, utilizando encaixes em madeira, além do emprego de coberturas de palha e soluções que favorecem a ventilação natural das edificações.
Essas práticas, hoje associadas aos princípios da arquitetura bioclimática e do conforto ambiental, demonstram o conhecimento acumulado pelos povos indígenas ao longo de séculos de convivência harmoniosa com a natureza.
Para a presidente em exercício do conselho, preservar e registrar esse patrimônio cultural é essencial para reconhecer a contribuição histórica dos povos originários para a arquitetura contemporânea.
Os vencedores receberão premiações em dinheiro. Em cada categoria, o primeiro lugar será contemplado com R$ 10 mil, o segundo colocado receberá R$ 6 mil e o terceiro ganhará R$ 4 mil.
Os classificados entre a quarta e a 13ª posição também serão premiados, com R$ 2 mil cada.
O resultado final está previsto para ser divulgado em 27 de agosto. Caso haja recursos, a divulgação será realizada em 8 de setembro. O livro reunindo os trabalhos selecionados deverá ser lançado até o fim deste ano.
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas por e-mail, conforme as orientações previstas no regulamento do concurso.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


