Jornada de trabalho exaustiva, pressão por prazos e solidão fazem parte da rotina da maioria dos caminhoneiros no Brasil. Essa realidade tem levado muitos profissionais ao adoecimento físico e psicológico.
O caminhoneiro autônomo Emerson André, conhecido como Facebook, está há 16 anos na estrada e relata o impacto da profissão. “Tem muitos motoristas ficando doentes porque o estresse do cotidiano e a distância da família pesam demais. A gente perde muita coisa em casa”, lamenta.
Uma pesquisa do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostra que 50,49% dos motoristas recebem por comissão e 43,7% trabalham sem carga horária definida, o que gera insegurança financeira e emocional. Além disso, 56% cumprem jornadas entre 9 e 16 horas, sendo que quase 25% chegam a dirigir mais de 13 horas por dia. Pela lei, o descanso deveria ser de 11 horas a cada 24 horas, com pausas regulares.
Uso de drogas e fadiga nas estradas
O MPT também identificou que quase 27% dos caminhoneiros utilizam drogas regularmente para suportar mais de 12 horas de trabalho. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirma o uso frequente de “rebites”, cocaína e outros inibidores de sono para burlar o cansaço.
Segundo especialistas, a falta de pontos de parada seguros agrava o problema, levando motoristas a dormir dentro dos caminhões, expostos a riscos de assaltos e sequestros.
Impactos psicológicos e emocionais
Pesquisas apontam que a chance de caminhoneiros desenvolverem ansiedade, depressão e estresse é três vezes maior em jornadas acima de 12 horas. Um levantamento da plataforma Moodar revela que 20% dos profissionais de transporte apresentam vulnerabilidade emocional.
O psiquiatra Alcides Trentin Junior alerta que o trabalho exige atenção extrema e estabilidade mental. “A ansiedade e a depressão aumentam o risco de acidentes”, afirma.
Profissão em crise e falta de mão de obra
O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes destaca que a saúde mental já é vista como problema estrutural do setor, provocando o chamado “apagão de motoristas”. Com média de idade de 46 anos, os jovens cada vez menos se interessam pela profissão devido às condições desgastantes.
Mudanças na legislação trabalhista
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou por atualizações que obrigam empresas a garantirem um ambiente psicologicamente saudável, com prazo de um ano para adequação. Agora, além da prevenção física, as empresas devem avaliar riscos psicossociais como fadiga, estresse e sobrecarga.
Para especialistas, cuidar da saúde mental dos caminhoneiros significa também reduzir acidentes nas estradas e promover condições mais humanas de trabalho.
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