O mercado de trabalho brasileiro registrou novos avanços no início de 2026, com crescimento do emprego formal, redução da informalidade e recorde no rendimento médio dos trabalhadores. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Segundo o levantamento, a taxa de informalidade caiu para 37,3% da população ocupada no trimestre encerrado em março, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O índice ficou abaixo dos 37,6% registrados no trimestre anterior e também inferior aos 38% observados no mesmo período de 2025.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39,2 milhões de pessoas. Embora o indicador tenha permanecido estável na comparação trimestral, houve crescimento de 1,3% em relação ao ano passado, representando mais 504 mil trabalhadores formalizados.
Por outro lado, o contingente de empregados sem carteira assinada no setor privado caiu 2,1% no trimestre, chegando a 13,3 milhões de pessoas. Já o total de trabalhadores por conta própria permaneceu em 26 milhões, mas apresentou crescimento de 2,4% na comparação anual.
De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, a queda da informalidade está relacionada principalmente à redução do número de trabalhadores sem carteira assinada e de autônomos sem CNPJ.
A PNAD Contínua também apontou recorde no rendimento médio dos trabalhadores brasileiros. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.722 no trimestre encerrado em março, com crescimento de 1,6% em relação ao trimestre anterior e alta de 5,5% na comparação anual, já descontada a inflação.
Outro destaque foi a massa de rendimento real, que representa a soma dos salários pagos aos trabalhadores no país. O indicador atingiu R$ 374,8 bilhões, o maior valor já registrado pela pesquisa, com crescimento anual de 7,1%.
Os setores de Comércio e Administração Pública apresentaram os maiores aumentos salariais no trimestre, segundo o IBGE.
Desemprego segue em baixa histórica
A taxa de desemprego ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026. Apesar da alta de um ponto percentual em relação ao trimestre anterior, o resultado foi o menor já registrado para períodos encerrados em março desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.
O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, aumento de 19,6% frente ao trimestre anterior. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 13% no contingente de brasileiros em busca de trabalho.
O total de pessoas ocupadas no país somou 102 milhões. O número caiu 1% no trimestre, mas ainda permanece 1,5% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Setores registram oscilações
Entre os segmentos econômicos analisados pelo IBGE, Comércio, Administração Pública e Serviços Domésticos apresentaram redução no número de trabalhadores na comparação trimestral, totalizando perda superior a 870 mil postos de trabalho.
Por outro lado, na comparação anual, os setores de Informação, Comunicação, Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas registraram crescimento de 3,2%. Já a Administração Pública avançou 4,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo Adriana Beringuy, os recuos observados no trimestre refletem fatores sazonais, como a desaceleração do comércio após o fim do período de festas e o encerramento de contratos temporários em áreas como educação e saúde pública.
Pesquisa acompanha mercado de trabalho
A PNAD Contínua é considerada o principal levantamento sobre o mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa acompanha aproximadamente 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal, com entrevistas realizadas trimestralmente pelo IBGE.
Os dados completos podem ser consultados na plataforma Sidra, do IBGE. A próxima divulgação da pesquisa, referente ao trimestre encerrado em abril, está prevista para o dia 28 de maio.
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