O Ministério das Relações Exteriores negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar a Brasília antes das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro. A informação foi divulgada neste sábado (25) pelo jornal norte-americano The Washington Post.
Os vistos haviam sido solicitados por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado. Segundo a publicação, a decisão do Itamaraty foi tomada na última sexta-feira (24).
O Departamento de Estado confirmou que os dois representantes planejavam visitar a capital federal na próxima semana. No entanto, o órgão não informou oficialmente qual seria o objetivo da missão nem respondeu se havia questionamentos do governo do presidente Donald Trump sobre o processo eleitoral brasileiro.
De acordo com o Washington Post, quatro integrantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos, ouvidos sob condição de anonimato, afirmaram que a delegação pretendia tratar de temas relacionados à integridade e à confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Fontes diplomáticas ouvidas pelo portal g1 informaram que o Brasil tradicionalmente recebe missões internacionais de observação durante as eleições. Contudo, a avaliação do governo brasileiro foi de que os representantes norte-americanos não estariam vindo na condição de observadores eleitorais e exerceriam uma função diferente.
Segundo a reportagem, integrantes do governo federal relacionaram a tentativa de viagem às declarações recentes dos deputados Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro sobre o sistema eletrônico de votação.
Em encontro com representantes de aproximadamente 40 países, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil utilizaria equipamentos produzidos por uma empresa da Venezuela e que poderiam ser alvo de fraudes. As declarações foram contestadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ainda conforme o Washington Post, integrantes do governo norte-americano mantiveram contatos com grupos alinhados à família Bolsonaro para discutir o processo eleitoral brasileiro.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a missão como “inusitada” e “escandalosa”, segundo informações publicadas pelo portal g1.
De acordo com a reportagem, integrantes da Corte entenderam que a visita poderia ser interpretada como uma interferência em atribuições das instituições brasileiras e defenderam que o Tribunal Superior Eleitoral se manifestasse sobre o episódio.
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