O apoio à agricultura familiar, o financiamento aos pequenos produtores e as compras públicas de alimentos foram fatores decisivos para que o Brasil deixasse novamente o Mapa da Fome em 2025. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em entrevista ao programa Voz do Brasil, concedida na última quarta-feira (31), último dia do ano.
Segundo o ministro, as políticas públicas implementadas pelo Governo Federal tiveram impacto direto tanto na ampliação da produção de alimentos quanto no estímulo à renda dos agricultores familiares. “Participamos ativamente aumentando a produção de alimentos, mas também comprando do agricultor familiar para estimulá-lo a produzir para a sociedade brasileira”, afirmou.
Em julho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou oficialmente que o Brasil havia deixado o Mapa da Fome. Para Paulo Teixeira, o resultado é fruto de um conjunto de ações integradas.
“As grandes notícias desse ano são que o Brasil saiu do Mapa da Fome, teve a maior produção agrícola da sua história, e o MDA e o Mapa tiveram um papel muito importante. Estamos tendo deflação de alimentos, ou seja, o alimento está cabendo um pouco mais na renda do povo brasileiro”, destacou.
Balanço de 2025
Ao fazer um balanço das ações do ministério em 2025, Paulo Teixeira apontou o programa Desenrola Rural como uma das iniciativas mais bem-sucedidas do ano. De acordo com ele, cerca de 300 mil agricultores familiares conseguiram renegociar dívidas e voltar a ter acesso ao crédito rural.
“Isso é uma magia, porque permite que o agricultor, que já está na terra, volte à produção. Com a repactuação, ele pode acessar novamente o Pronaf, que é o melhor crédito para a produção agrícola no Brasil. O Desenrola foi um sucesso”, afirmou o ministro.
Outro destaque citado foi a retomada da reforma agrária e o avanço na demarcação de terras quilombolas. Segundo Paulo Teixeira, programas que haviam sido interrompidos em gestões anteriores voltaram a ser prioridade.
“Assentamos muitas famílias com crédito e orientação adequada. Elas já entram selecionadas e regularizadas”, disse. O ministro também ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já demarcou 60 áreas quilombolas, número considerado recorde na história do país.
Perspectivas para 2026
Para 2026, o ministro apontou como prioridades a ampliação da mecanização dos pequenos produtores e a aceleração da transição para uma agricultura de base biológica, com redução do uso de agrotóxicos.
“Temos uma agricultura ainda muito baseada nos agrotóxicos, e estamos avançando para os bioinsumos. Em 2025, tivemos boas notícias com a criação de um marco regulatório para estimular esse setor”, concluiu Paulo Teixeira.
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