O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (25), da apresentação oficial do caça F-39E Gripen produzido em território nacional. O evento ocorreu no Aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, e marca um momento inédito para a indústria de defesa brasileira.
A aeronave, desenvolvida em parceria com a empresa sueca Saab, é o primeiro caça supersônico fabricado no Brasil. Com isso, o país passa a integrar um seleto grupo de nações capazes de produzir aviões de combate de alta complexidade, sendo o primeiro da América Latina a dominar essa tecnologia.
Durante a agenda, Lula destacou o simbolismo do avanço tecnológico. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou ter sobrevoado escoltado pela aeronave e classificou o momento como um marco para o país, reforçando a confiança no desenvolvimento nacional e na soberania brasileira.
O projeto faz parte do programa Caça FX-2, que prevê investimentos totais de R$ 28,5 bilhões entre 2014 e 2033. Desse montante, R$ 10,5 bilhões estão incluídos no Novo PAC. A iniciativa contempla não apenas a aquisição de aeronaves, mas também a transferência de tecnologia, desenvolvimento industrial e capacitação de profissionais brasileiros.
A importância estratégica do programa foi reforçada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também participou da cerimônia. Segundo ele, a indústria de defesa desempenha papel fundamental na inovação e na garantia da soberania nacional.
O presidente da Saab, Micael Johansson, ressaltou que esta é a primeira vez, desde a fundação da empresa em 1937, que um caça é produzido fora da Suécia. Para o executivo, a parceria com o Brasil representa confiança mútua e visão de longo prazo.
O programa Gripen tem como objetivo modernizar a frota da Força Aérea Brasileira, com aeronaves equipadas com radar de última geração, armamentos de longo alcance e sistemas avançados de comunicação e guerra eletrônica. Os modelos incluem versões monoposto e biposto, sendo esta última uma adaptação específica para o Brasil.
O ministro da Defesa, José Múcio, destacou que a entrega das primeiras unidades produzidas no país já se tornou realidade, conforme previsto no cronograma do projeto.
Ao todo, 36 aeronaves foram contratadas, sendo 15 delas produzidas na unidade da Embraer em Gavião Peixoto. Parte das estruturas também é fabricada em São Bernardo do Campo, ampliando o impacto na indústria nacional.
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, afirmou que o feito consolida o Brasil como referência na produção de caças supersônicos no hemisfério sul.
Além da Saab e da Embraer, empresas brasileiras como AEL Sistemas, Akaer e Atech participam do desenvolvimento e da cadeia produtiva.
A expectativa é que o programa gere cerca de 13 mil empregos no país, entre diretos e indiretos, impulsionando setores industriais e tecnológicos. O projeto também abre caminho para exportações futuras, com potencial de fornecimento de aeronaves para países da América Latina.
Durante a visita, Lula conheceu ainda a pista de testes da Embraer, considerada a maior do hemisfério sul, com cinco quilômetros de extensão. O presidente também acompanhou a demonstração de um protótipo de veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL), desenvolvido pela Eve Air Mobility, voltado à mobilidade aérea urbana.
O F-39E Gripen é classificado como um caça multiemprego, com capacidade para missões de defesa aérea, reconhecimento, ataque ao solo e controle do espaço aéreo. Sua produção no Brasil é resultado de mais de um milhão de horas de trabalho entre desenvolvimento, testes e suporte, além de centenas de milhares de horas de treinamento técnico.
A parceria entre Embraer e Saab também inclui ampla transferência de tecnologia, permitindo a formação de engenheiros e especialistas brasileiros e reduzindo a dependência externa em projetos estratégicos.
Compartilhe esta reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram





