O Banco Central (BC) rejeitou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), encerrando a última etapa regulatória necessária para que a operação de R$ 2 bilhões fosse concluída. O veto foi comunicado na noite desta quarta-feira (3), em fato relevante divulgado pelo BRB a investidores. Até o momento, o BC não se pronunciou oficialmente sobre os fundamentos da decisão.
No comunicado, o BRB informou que solicitou acesso à íntegra da decisão para avaliar os motivos do indeferimento e considerar alternativas cabíveis. A instituição destacou ainda que a transação representava uma oportunidade estratégica para gerar valor ao banco, seus clientes, o Distrito Federal e ao Sistema Financeiro Nacional.
Poucos dias antes, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, havia sancionado uma lei autorizando o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. O projeto foi aprovado pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) após determinação judicial, permitindo a ampliação da presença do BRB no mercado financeiro.
Desde o anúncio da operação, há cerca de seis meses, as ações do BRB acumularam valorização de aproximadamente 23% na Bolsa de Valores (B3).
A negociação, no entanto, vinha sendo alvo de polêmicas. O Banco Master é conhecido por sua política agressiva de captação, oferecendo rendimentos de até 140% do CDI, acima da média de bancos menores, que varia entre 110% e 120%. Além disso, a instituição enfrenta desconfiança do mercado por não ter divulgado o balanço de 2024 e por não conseguir atrair investidores em uma recente tentativa de emissão de títulos em dólares.
Outro ponto que levantou dúvidas foram as operações com precatórios e o passivo elevado do Master. O BTG Pactual chegou a oferecer apenas R$ 1 pelo controle do banco, assumindo as dívidas, que seriam cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No entanto, divergências entre as instituições que compõem o fundo impediram que o acordo avançasse.
Com o veto do BC, o futuro do Banco Master permanece incerto, enquanto o BRB deve reavaliar sua estratégia de expansão no setor financeiro.
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