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Ato nos Arcos da Lapa pede fim da violência contra mulheres e população LGBTQIA+

Movimentos sociais se reuniram no Rio para cobrar políticas públicas, educação e proteção a grupos vulneráveis.

redação Por redação
21/12/2025 - 19:11
em Brasil
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Ato nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, reuniu movimentos sociais em defesa do fim da violência contra mulheres, população LGBTQIA+ e minorias vulneráveis em todo o Brasil.

Imagem:Fernando Frazão/Agência Brasil

Diferentes movimentos sociais realizaram, neste domingo (21), um ato público nos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, em defesa do fim da violência contra mulheres, pessoas LGBTQIA+ e outras populações vulneráveis, frequentemente vítimas de agressões e assassinatos no país.

A mobilização foi convocada pela CasaNem, centro de acolhimento localizado no Rio de Janeiro que atende pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social, especialmente transexuais e travestis. A instituição desenvolve ações voltadas à autonomia, cultura, formação profissional e acesso a direitos.

Devido ao calor intenso do início do verão, a concentração do ato começou mais tarde do que o horário inicialmente previsto.

Mobilização contra a violência

A fundadora da CasaNem, Indianarae Siqueira, afirmou que a manifestação foi organizada após casos recentes de violência que chamaram atenção para a vulnerabilidade da juventude trans no Brasil. Segundo ela, os episódios reforçam a necessidade de políticas públicas de proteção, especialmente voltadas à infância e adolescência.

Para Indianarae, o enfrentamento à violência passa principalmente pela educação. Ela destacou que o aumento das denúncias está relacionado ao fortalecimento das leis e dos mecanismos de proteção, o que amplia a visibilidade dos casos.

“A criminalização também tem um papel pedagógico, para deixar claro que o preconceito não é aceitável. Mas o caminho principal é educar desde cedo, na escola e em casa”, afirmou.

Segundo a ativista, as opressões enfrentadas por mulheres e pela população LGBTQIA+ estão ligadas a estruturas históricas de desigualdade, como o machismo e o patriarcado, e não a indivíduos específicos.

Vozes do ato

Participante da mobilização, a mulher trans Laisa, de 30 anos, destacou que o ato defende o respeito às diferenças e a igualdade de direitos. “É uma luta pelo amor, pelo respeito e pela união das pessoas, independentemente de bandeiras”, afirmou.

A artista MC Raica também participou do evento, utilizando a música como forma de manifestação. Ela relatou que, com o apoio de iniciativas como a CasaNem e o Instituto Trans Maré, conseguiu ampliar suas oportunidades e transformar sua trajetória profissional.

“Hoje posso viver outra realidade. Não podemos desistir. Precisamos lutar pelos direitos que todos merecem”, disse.

A fundadora do Instituto Trans Maré, Lohana Carla, destacou o trabalho de acolhimento realizado pela organização desde a pandemia, oferecendo apoio psicológico, jurídico e oportunidades de empregabilidade para mulheres trans e travestis.

“A sociedade precisa olhar para todas as violências que acontecem. Pessoas trans ainda sofrem preconceito e agressões diariamente. É preciso enfrentar isso”, afirmou.

Dados reforçam urgência do debate

Dados recentes evidenciam a gravidade da violência de gênero e da LGBTfobia no país. De janeiro a setembro deste ano, mais de 2,7 mil mulheres sofreram tentativas de feminicídio, e 1.075 morreram em decorrência desse crime.

Talita Aires, Laísa e a MC Raica Devassa participam da Parada LGBTQIAPN+ da Lapa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil segue como o país com o maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo, pelo 17º ano consecutivo. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, segundo o Grupo Gay da Bahia.

De acordo com o Atlas da Violência 2025, os registros de agressões contra a população LGBTQIA+ cresceram de forma expressiva na última década, com aumentos significativos nos casos envolvendo mulheres e homens trans, o que reforça a necessidade de ações estruturais de prevenção e proteção.

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Tags: #ArcosDaLapa#CasaNem#DireitosHumanos#FimDaViolência#Igualdade#LGBTQIA+#Respeito#VidasImportam
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