Diferentes movimentos sociais realizaram, neste domingo (21), um ato público nos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, em defesa do fim da violência contra mulheres, pessoas LGBTQIA+ e outras populações vulneráveis, frequentemente vítimas de agressões e assassinatos no país.
A mobilização foi convocada pela CasaNem, centro de acolhimento localizado no Rio de Janeiro que atende pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social, especialmente transexuais e travestis. A instituição desenvolve ações voltadas à autonomia, cultura, formação profissional e acesso a direitos.
Devido ao calor intenso do início do verão, a concentração do ato começou mais tarde do que o horário inicialmente previsto.
Mobilização contra a violência
A fundadora da CasaNem, Indianarae Siqueira, afirmou que a manifestação foi organizada após casos recentes de violência que chamaram atenção para a vulnerabilidade da juventude trans no Brasil. Segundo ela, os episódios reforçam a necessidade de políticas públicas de proteção, especialmente voltadas à infância e adolescência.
Para Indianarae, o enfrentamento à violência passa principalmente pela educação. Ela destacou que o aumento das denúncias está relacionado ao fortalecimento das leis e dos mecanismos de proteção, o que amplia a visibilidade dos casos.
“A criminalização também tem um papel pedagógico, para deixar claro que o preconceito não é aceitável. Mas o caminho principal é educar desde cedo, na escola e em casa”, afirmou.
Segundo a ativista, as opressões enfrentadas por mulheres e pela população LGBTQIA+ estão ligadas a estruturas históricas de desigualdade, como o machismo e o patriarcado, e não a indivíduos específicos.
Vozes do ato
Participante da mobilização, a mulher trans Laisa, de 30 anos, destacou que o ato defende o respeito às diferenças e a igualdade de direitos. “É uma luta pelo amor, pelo respeito e pela união das pessoas, independentemente de bandeiras”, afirmou.
A artista MC Raica também participou do evento, utilizando a música como forma de manifestação. Ela relatou que, com o apoio de iniciativas como a CasaNem e o Instituto Trans Maré, conseguiu ampliar suas oportunidades e transformar sua trajetória profissional.
“Hoje posso viver outra realidade. Não podemos desistir. Precisamos lutar pelos direitos que todos merecem”, disse.
A fundadora do Instituto Trans Maré, Lohana Carla, destacou o trabalho de acolhimento realizado pela organização desde a pandemia, oferecendo apoio psicológico, jurídico e oportunidades de empregabilidade para mulheres trans e travestis.
“A sociedade precisa olhar para todas as violências que acontecem. Pessoas trans ainda sofrem preconceito e agressões diariamente. É preciso enfrentar isso”, afirmou.
Dados reforçam urgência do debate
Dados recentes evidenciam a gravidade da violência de gênero e da LGBTfobia no país. De janeiro a setembro deste ano, mais de 2,7 mil mulheres sofreram tentativas de feminicídio, e 1.075 morreram em decorrência desse crime.
O Brasil segue como o país com o maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo, pelo 17º ano consecutivo. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, segundo o Grupo Gay da Bahia.
De acordo com o Atlas da Violência 2025, os registros de agressões contra a população LGBTQIA+ cresceram de forma expressiva na última década, com aumentos significativos nos casos envolvendo mulheres e homens trans, o que reforça a necessidade de ações estruturais de prevenção e proteção.
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