Em um cenário marcado pela velocidade da informação e pelo avanço das tecnologias digitais, a Agência Brasil completa 36 anos consolidada como uma das principais referências do jornalismo público no país. Criada em uma época em que celulares e computadores ainda eram inacessíveis para grande parte da população, a agência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ampliou seu papel ao longo das décadas e hoje distribui gratuitamente conteúdos jornalísticos para veículos de comunicação de todas as regiões do Brasil.
O trabalho desenvolvido pela agência é apontado por pesquisadores e entidades ligadas ao jornalismo como essencial para ampliar o acesso à informação de interesse público, fortalecer a pluralidade de pautas e combater a desinformação.
O professor de jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Pedro Aguiar, destaca que a gratuidade do conteúdo distribuído pela Agência Brasil democratiza o acesso à informação, especialmente para veículos regionais e pequenos meios de comunicação.
Segundo ele, a agência desempenha um papel estratégico ao divulgar serviços públicos, campanhas de vacinação, informações sobre educação, programas sociais e direitos da população. Além disso, tornou-se referência na cobertura econômica voltada para temas que impactam diretamente o cotidiano dos brasileiros.
Aguiar avalia que as agências públicas de notícias representam um investimento no desenvolvimento social e democrático do país. Para o pesquisador, ampliar a estrutura de cobertura nacional e internacional fortaleceria ainda mais o papel da Agência Brasil.
“O aumento da capilaridade da rede de apuração é fundamental. Estamos vivendo um cenário internacional complexo, com guerras e disputas geopolíticas, e ainda dependemos muito das estruturas midiáticas do primeiro mundo”, observou.
O pesquisador também alerta para os riscos da concentração da comunicação em grandes conglomerados privados e plataformas digitais. Na avaliação dele, o financiamento público da Agência Brasil ajuda a preservar o compromisso com o acesso democrático à informação.
O professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador em comunicação pública, Fernando de Oliveira Paulino, reforça que uma agência pública forte é indispensável para países que buscam soberania informativa e uma sociedade bem informada.
Presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic), Paulino defende que o fortalecimento da Agência Brasil está diretamente ligado aos princípios constitucionais da liberdade de expressão, da comunicação pública e do acesso à informação.
Fortalecimento do jornalismo regional
Entidades representativas do jornalismo brasileiro também destacam a relevância da agência pública para o fortalecimento da imprensa regional.
O diretor de jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Moacyr de Oliveira Filho, afirma que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, uma agência pública de notícias exerce função estratégica ao levar informação confiável para todas as regiões.
Segundo ele, a Agência Brasil contribui para ampliar a pluralidade de vozes, fortalecer o jornalismo regional e combater a disseminação de notícias falsas.
“Ao longo dessas décadas, a Agência Brasil construiu uma trajetória marcada pela credibilidade, pelo compromisso com a verdade e pelo serviço público”, destacou.
Para Oliveira Filho, o veículo também cumpre um papel importante na redução das desigualdades de acesso à informação e no fortalecimento do direito da sociedade à informação de qualidade.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, acrescenta que o fortalecimento do jornalismo público é fundamental em um contexto de concentração dos grandes meios de comunicação.
“Uma agência pública forte garante acesso à informação de interesse coletivo, transparência pública e pluralidade de vozes”, afirmou.
Ao completar 36 anos, a Agência Brasil mantém sua atuação como um dos principais instrumentos de circulação gratuita de conteúdo jornalístico no país, abastecendo diariamente jornais, rádios, TVs, portais e veículos independentes em todas as regiões brasileiras.
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