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Violência atinge 90% das mulheres em saídas noturnas

Relatório do Instituto Patrícia Galvão revela que estuprou atinge 10% das mulheres durante deslocamentos noturnos, índice que dobra entre mulheres LGBTQIA+.

redação Por redação
21/11/2025 - 14:07
em Brasil
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Estudo aponta que 9 em cada 10 brasileiras já sofreram violência ao sair à noite para lazer. Mulheres negras e LGBTQIA+ são as mais vulneráveis.

Imagem:Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nove em cada dez brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao sair à noite para atividades de lazer, segundo relatório do Instituto Patrícia Galvão, realizado em parceria com o Instituto Locomotiva e com apoio da Uber. A maior parte dos casos tem cunho sexual, incluindo cantadas invasivas, importunação e assédio.

O cenário é ainda mais grave quando se observa os casos de estupro: pelo menos 10% das mulheres já foram vítimas durante deslocamentos para atividades como ir a bares, restaurantes, shows, cinemas ou casas noturnas. Entre mulheres da comunidade LGBTQIA+, esse índice chega ao dobro.

Violência afeta maioria das mulheres que circulam à noite

O relatório revela que 98% das brasileiras que saem à noite têm medo de sofrer violência – um temor que se confirma nos dados. Além da desigualdade de gênero, elementos como raça e orientação sexual agravam o risco.

Enquanto 72% das mulheres afirmam já ter recebido olhares insistentes ou flertes indesejados, o número sobe para 78% entre jovens de 18 a 34 anos. Já entre mulheres pretas, a incidência de agressões físicas, assédio, racismo e violência sexual é maior ao longo de todos os recortes avaliados.

Mulheres negras e LGBTQIA+ são as mais afetadas

Entre todos os tipos de violência relatados, 34% das mulheres afirmaram ter sido vítimas de assalto, furto ou sequestro relâmpago. Além disso, 24% disseram ter sofrido discriminação por motivos não raciais – índice que sobe para 48% entre mulheres LGBTQIA+, que enfrentam com frequência violações de direitos mais severas.

Caminhar e pegar ônibus são os momentos de maior exposição

Os deslocamentos a pé (73%) e de ônibus (53%) são os momentos em que as mulheres mais se sentem expostas ao risco de agressões.

Ainda assim, nenhum meio de transporte é considerado totalmente seguro:

  • Carro particular: 18%
  • Carro por aplicativo: 18%
  • Metrô: 16%
  • Trem: 13%
  • Motorista particular: 11%
  • Bicicleta: 11%
  • Motocicleta por aplicativo: 10%
  • Táxi: 9%

A segurança é o principal critério para escolher como se deslocar à noite (58%), superando fatores como conforto (12%) e praticidade (10%).

Violência altera a rotina de lazer

A sensação de insegurança tem impacto direto na vida social das mulheres. Entre as que mantêm o hábito de sair à noite, 63% já deixaram de sair de casa por medo – número que sobe para 66% entre mulheres negras.

Além disso, 42% afirmaram já ter presenciado um caso de violência contra outra mulher, e pouco mais da metade prestou ajuda à vítima.

Busca por apoio ainda é baixa

Entre as mulheres que sofreram violência:

  • 58% foram acolhidas por conhecidos, desconhecidos ou funcionários do local
  • 53% optaram por voltar para casa após o episódio
  • Apenas 17% procuraram a polícia
  • Uma parcela ainda menor acionou a Central de Atendimento à Mulher

Medidas de autoproteção são rotina

Para tentar reduzir riscos, muitas mulheres adotam estratégias de proteção, como:

  • Avisar alguém sobre onde estão e quando pretendem voltar (91%)
  • Evitar locais escuros ou desertos (89%)
  • Buscar companhia para trajetos (89%)
  • Evitar determinadas roupas ou acessórios (78%)
  • Levar peças extras para cobrir o corpo (58%)

Metodologia

A pesquisa ouviu 1.200 mulheres entre 18 e 59 anos, com dados coletados em setembro deste ano.

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Tags: #DireitosDasMulheres#Instituto Patrícia Galvão#LGBTQIA+#RacismoEstruturalBrasilMulheresRacismoSegurançaSegurança Pública
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