O linfoma não Hodgkin de células B é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo. A doença ganhou destaque após a morte do cantor Netinho, na terça-feira (13), conforme noticiado pela Agência Brasil. O diagnóstico e a evolução do quadro dependem do subtipo do linfoma, da extensão da doença e das condições gerais de saúde do paciente.
O sistema linfático é formado por vasos, gânglios e órgãos como o baço e as amígdalas. Ele transporta a linfa, um líquido que contém células de defesa chamadas linfócitos. Em pessoas com linfoma não Hodgkin, essas células sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada, podendo se acumular nos linfonodos e atingir outras partes do corpo.
Quando o câncer se origina nos linfócitos B, recebe a classificação de linfoma não Hodgkin de células B. Existem também os linfomas de células T e de células NK, menos frequentes em comparação com os subtipos de células B. Segundo a hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do A.C. Camargo Cancer Center, o tipo de linfoma diagnosticado no cantor era o plasmablástico, uma forma rara e agressiva, mais frequentemente associada a pessoas com imunidade comprometida. Esse subtipo pode apresentar maior dificuldade de tratamento e prognóstico menos favorável do que outros linfomas.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil deverá registrar 10.180 novos casos de linfoma não Hodgkin em 2026, sendo 5.370 em homens e 4.810 em mulheres. Os números reforçam a importância de conhecer os sinais da doença e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, embora manifestações semelhantes também possam ocorrer em outras condições de saúde.
Entre os sintomas mais comuns estão o aumento dos gânglios linfáticos, especialmente no pescoço, nas axilas e nas virilhas, febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso inexplicável e cansaço persistente. Dependendo do subtipo e das regiões afetadas, também podem ocorrer coceira, alterações na pele, tosse, dor abdominal, náuseas, vômitos e dificuldade para respirar. Em situações mais graves, podem surgir dores, fraqueza nos membros ou alterações neurológicas.
As causas exatas do linfoma não Hodgkin ainda não são totalmente conhecidas. Entretanto, alguns fatores estão associados a um risco maior de desenvolvimento da doença, como idade, alterações no sistema imunológico, doenças autoimunes e exposição a determinados agentes. Infecções por vírus como Epstein-Barr, HIV e HTLV, além da presença da bactéria Helicobacter pylori em situações específicas, também podem estar relacionadas a determinados subtipos. Ter um ou mais desses fatores não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá câncer.
O diagnóstico depende da avaliação clínica e de exames. A biópsia de um linfonodo ou de outro tecido afetado costuma ser fundamental para identificar o tipo de linfoma. Exames de sangue, avaliação da medula óssea e exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e PET-CT, podem ser utilizados para determinar a extensão da doença. O estadiamento varia de I a IV, conforme a distribuição do linfoma pelo organismo, e ajuda a equipe médica a definir a estratégia terapêutica mais adequada.
O tratamento varia de acordo com o subtipo, o estágio, os sintomas e as condições de saúde do paciente. As opções podem incluir quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo, imunoterapia e transplante de células-tronco em situações específicas. Nos últimos anos, novas abordagens ampliaram as possibilidades de tratamento, especialmente para alguns linfomas de células B. Entre elas estão os anticorpos biespecíficos, que aproximam células de defesa das células tumorais, e a terapia CAR-T, que modifica células do sistema imunológico para que reconheçam e combatam o câncer. A indicação depende da avaliação especializada e das características de cada caso.
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