A formalização dos trabalhadores por conta própria atingiu o maior nível da série histórica em 2025. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,1% desses trabalhadores tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quase o dobro dos 15% registrados em 2012. Considerando conjuntamente empregadores e trabalhadores por conta própria, a proporção com CNPJ chegou a 35%, também recorde da série, iniciada em 2012, quando o índice era de 24%. Ao todo, 30,6 milhões de pessoas estavam nessas duas categorias de ocupação no país.
Os dados fazem parte do módulo Características adicionais do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (23). O levantamento mostra ainda que o nível de ocupação chegou a 59,1% em 2025, o maior da série histórica, enquanto a população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, crescimento de 1,7% em relação a 2024. A escolaridade também apresentou forte relação com a formalização: pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo, 50,8%, possuía CNPJ. Entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, o índice era de 11,1%. Entre empregadores com ensino superior completo, a taxa chegou a 91,8%.
Entre os trabalhadores por conta própria, o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas apresentaram a maior taxa de formalização, com 36,7% em 2025, contra 33,2% no ano anterior. O setor de serviços também atingiu recorde, passando de 31,5% para 33,5%. Na direção contrária, a indústria geral recuou de 23,4% para 22,8%, a construção caiu de 15,2% para 14,8% e a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura passou de 7,2% para 6,5%. Considerando empregadores e trabalhadores por conta própria, o comércio apresentou cobertura de 49,8%, seguido pelos serviços, com 40,3%. Na construção, a taxa chegou a 18,8%, quase três vezes os 6,9% registrados em 2012.
Entre os empregadores, o comércio também apresentou a maior proporção de registros no CNPJ, com 88,2% em 2025. Os serviços alcançaram 86,4%, após 84,5% em 2024, enquanto a indústria geral passou de 83,4% para 84,3%. Na construção, a formalização subiu de 55,7% para 58,2%, e na agricultura houve uma recuperação de 32,1% para 32,7%. A pesquisa aponta ainda diferenças entre homens e mulheres: em 2025, 36,7% das mulheres nas categorias analisadas tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens. Entre trabalhadores por conta própria, os índices foram de 29,3% para mulheres e 25,9% para homens. Entre empregadores, 85,8% das mulheres tinham registro, contra 79% dos homens.
As diferenças regionais também foram expressivas. O Sul apresentou a maior proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ, chegando a 46,7% em 2025, seguido por Centro-Oeste e Sudeste, ambos com 41,6%. Norte e Nordeste registraram 15,6% e 20,1%, respectivamente. Considerando as categorias separadamente, o Sul também liderou, com 37,4% de formalização entre trabalhadores por conta própria e 88,9% entre empregadores. No Sudeste, os índices foram de 33,8% e 87,1%, enquanto no Centro-Oeste ficaram em 31,7% e 82,3%. No Nordeste, foram 13,7% e 67,6%, e no Norte, 9,7% e 57,7%.
O levantamento mostra ainda que a participação em cooperativas permanece restrita. Dos 30,6 milhões de empregadores e trabalhadores por conta própria em 2025, 4,7%, ou cerca de 1,4 milhão de pessoas, eram associados a cooperativas de trabalho ou produção. O maior percentual da série havia sido registrado em 2012, com 6,3%. O Sul apresentou a maior proporção em 2025, com 7,8%, seguido pelo Norte, com 5,2%. A pesquisa também revelou que 60,2% dos 84,6 milhões de trabalhadores do setor privado atuavam em estabelecimento do próprio empreendimento. Outros 13,8% trabalhavam em local determinado pelo empregador, patrão ou freguês, enquanto 8,4% exerciam suas atividades em fazendas, sítios, granjas ou chácaras.
O número de trabalhadores formalizados também alcançou o maior contingente da série, com 38,9 milhões de pessoas em 2025, embora a proporção tenha ficado em 37,8%, abaixo dos 40,2% registrados em 2014. Já a sindicalização permaneceu praticamente estável: 8,8% dos ocupados, ou 9,1 milhões de trabalhadores, estavam associados a sindicatos, contra 8,9% em 2024. A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou a maior taxa de sindicalização entre os grupamentos de atividade, com 14,7%, seguida por administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 14,6%, e indústria geral, com 11,4%. As menores taxas foram registradas nos serviços domésticos, com 2,5%, e na construção e em outros serviços, ambos com 3,6%.
A escolaridade também influenciou a participação sindical. Em 2025, a taxa foi de 5,6% entre trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto, enquanto chegou a 13,5% entre aqueles com ensino superior completo. Dos 9,1 milhões de sindicalizados, 38,2% tinham ensino superior completo, 37,7% possuíam ensino médio completo ou superior incompleto, 8,4% tinham fundamental completo ou médio incompleto e 15,7% não tinham instrução ou possuíam fundamental incompleto. Regionalmente, o Centro-Oeste apresentou a maior proporção de sindicalizados com ensino superior completo, com 51,9%, seguido pelo Sudeste, com 40,1%, e pelo Sul, com 38,6%. Os dados do IBGE apontam, assim, crescimento da formalização entre trabalhadores por conta própria e empregadores, acompanhado por diferenças importantes segundo escolaridade, gênero, atividade econômica e região do país.
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