A Operação Resgate VI retirou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão durante ações realizadas em todo o país entre 1º e 31 de agosto. Entre as vítimas estavam 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
Coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, a operação realizou 231 ações fiscais em agosto. A força-tarefa reuniu também equipes do Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e Polícia Federal, cada uma atuando dentro de suas atribuições.
Minas Gerais concentrou a maior parte dos resgates. Ao todo, 208 trabalhadores foram retirados de condições semelhantes à escravidão no estado. A Região Sudeste somou 267 vítimas. A maioria das fiscalizações ocorreu no meio rural, responsável por 57,5% das ações e por 292 trabalhadores resgatados. No meio urbano, foram 178 resgates, enquanto nove trabalhadores foram encontrados em situação irregular no trabalho doméstico.
Entre as atividades com maior número de vítimas aparecem a construção em geral, com 85 trabalhadores resgatados, o cultivo de café, com 53, o cultivo de cebola, com 47, e o cultivo de batata-inglesa, com 44. Também foram encontrados casos no cultivo de outras lavouras temporárias, com 43 trabalhadores, e na coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, que registrou 29 resgates. Os dados mostram que grande parte dos casos continua concentrada em atividades ligadas à agricultura e ao extrativismo.
Os empregadores flagrados foram obrigados a interromper as situações irregulares e rescindir os contratos de trabalho, com a devida formalização retroativa. Também tiveram que pagar os valores trabalhistas e rescisórios devidos. Ao todo, mais de R$ 1,4 milhão foi destinado aos trabalhadores. As vítimas ainda tiveram direito ao seguro-desemprego especial, pago em seis parcelas no valor de um salário mínimo cada.
Além dos casos de trabalho análogo à escravidão, os fiscais identificaram outras violações trabalhistas. Aproximadamente 1.836 autos de infração serão lavrados por problemas como trabalho infantil, falta de registro, descumprimento de normas de saúde e segurança e outras irregularidades. Foram encontrados 1.192 trabalhadores sem registro formal e realizadas 28 interdições ou embargos devido a situações consideradas de grave e iminente risco.
Entre os casos investigados está o de uma mulher de 51 anos resgatada na Zona Leste de São Paulo. Ela vivia na casa onde trabalhava desde os 10 anos de idade e, a partir dos 11, passou a cuidar praticamente de todas as tarefas domésticas, além de atender às necessidades da família empregadora. Durante cerca de 40 anos, ela não teve registro formal e não recebeu salário regularmente. Também chegou a trabalhar em uma clínica pertencente a um integrante da família, igualmente sem registro.
Em Minas Gerais, trabalhadores, principalmente senegaleses e migrantes de Burkina Faso, foram encontrados em uma fazenda de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro. Eles trabalhavam na colheita manual de batatas sem carteira assinada, sem água potável, instalações sanitárias adequadas, equipamentos de proteção ou local apropriado para fazer as refeições. Também foram identificadas irregularidades na jornada, no transporte e nas condições gerais de saúde e segurança. A população pode denunciar casos de trabalho escravo de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, mantido pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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