O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na última quinta-feira (2), em Quixeramobim, no Ceará, de uma cerimônia marcada por entregas e novos anúncios voltados à Ferrovia Transnordestina, uma das principais obras de infraestrutura em andamento no país. Durante o evento, o Governo Federal confirmou o desembolso de R$ 600 milhões para acelerar a execução do empreendimento e entregou mais 101 quilômetros de trilhos entre Acopiara e Quixeramobim.
A agenda reforçou a estratégia do governo de ampliar a infraestrutura logística do Nordeste, melhorar o escoamento da produção e impulsionar o desenvolvimento regional. Ao discursar, Lula destacou o papel da ferrovia para integrar estados nordestinos e abrir novas oportunidades econômicas para a população da região.
Além do anúncio dos novos recursos, o governo também formalizou a ordem de serviço do Ramal Nelog, ligação que conectará a Transnordestina ao Terminal de Uso Privado Nelog, no Complexo do Pecém. Na mesma cerimônia, foram entregues ainda 100 vagões graneleiros destinados ao transporte de grãos e fertilizantes, resultado de um investimento de R$ 100 milhões.
Os 101 quilômetros inaugurados receberam cerca de R$ 2 bilhões em investimentos. As obras incluem estruturas como pontes, viadutos e passagens inferiores, além de terem gerado mais de 1,5 mil empregos diretos e aproximadamente 4,5 mil indiretos, segundo o governo.
A Transnordestina é considerada uma das maiores apostas logísticas para o Nordeste. Com extensão prevista de 1.206 quilômetros, a ferrovia vai ligar Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, atravessando 53 municípios da região. Com a entrega do novo trecho, o empreendimento passa a somar 777 quilômetros concluídos.
De acordo com o Ministério dos Transportes, a primeira fase da obra, entre o Porto do Pecém e o sul do Piauí, já alcança cerca de 81% de execução física e tem previsão de conclusão em 2027. A segunda etapa, entre Eliseu Martins e Ribeira do Piauí, deve ser concluída em 2028.
O investimento total estimado na ferrovia é de R$ 15 bilhões. Até maio de 2026, aproximadamente R$ 11 bilhões já haviam sido aplicados, enquanto outros R$ 4 bilhões permanecem contratados para a continuidade dos trabalhos. Desde 2023, o Governo Federal vem intensificando os aportes para acelerar o cronograma da obra.
Parte relevante desse financiamento tem sido garantida pelo Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Em março deste ano, o governo aprovou mais R$ 152,4 milhões para manter o ritmo das obras. Com isso, o fundo já destinou mais de R$ 6,6 bilhões ao projeto, consolidando-se como um dos principais instrumentos de sustentação financeira da ferrovia.
A agenda em Quixeramobim também incluiu o anúncio da produção de mais 370 vagões, que devem ampliar a capacidade operacional da ferrovia, e a assinatura de um protocolo de intenções para a implantação do Porto Seco de Quixeramobim. O empreendimento, com previsão de R$ 1 bilhão em investimentos privados, é apontado como peça importante para fortalecer a logística regional e atrair novos empreendimentos industriais.
Considerada estruturante para a logística nacional, a Transnordestina foi projetada para reduzir custos de transporte e ampliar a capacidade de escoamento de grãos, fertilizantes, combustíveis, cimento e minério. Quando estiver totalmente concluída, a expectativa é que possa transportar mais de 30 milhões de toneladas de cargas por ano, ampliando a competitividade da economia nordestina e a integração da região aos principais corredores logísticos do país.
Durante a cerimônia, Lula afirmou que a ferrovia tem papel decisivo para a perspectiva de desenvolvimento de estados como Ceará, Piauí e Pernambuco. O presidente também associou o avanço da obra à geração de oportunidades e à necessidade de levar desenvolvimento para o interior do país.
A visita ao Ceará ocorreu no mesmo dia em que o presidente participou da inauguração do Túnel Major Sales, estrutura que integra a transposição do Rio São Francisco e permitirá a chegada das águas ao Oeste do Rio Grande do Norte. Ao comentar a obra hídrica, Lula disse que só considerará a missão concluída quando voltar ao estado para inaugurar o Cinturão das Águas, em Fortaleza.
Com novos aportes, entregas de trechos e ampliação da estrutura de apoio logístico, a Transnordestina segue como uma das principais vitrines do governo na área de infraestrutura. Para o Planalto, a ferrovia tem potencial para alterar a dinâmica econômica do sertão nordestino, gerar empregos e consolidar um novo eixo de desenvolvimento regional.
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