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Marco Legal do Transporte Público é sancionado por Lula

Nova legislação moderniza o sistema de transporte coletivo urbano, cria alternativas de financiamento e estabelece padrões mínimos de qualidade para os serviços.

redação Por redação
15/06/2026 - 09:15
em Brasil
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Presidente Lula sanciona Marco Legal do Transporte Público Coletivo. Nova lei amplia fontes de financiamento, fortalece integração dos sistemas e prevê melhorias na qualidade do serviço.

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.432/2026, que institui o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo no país. A legislação foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União neste domingo (14) e estabelece novas diretrizes para o financiamento, a gestão e a operação dos sistemas de transporte urbano.

A proposta tem como principal objetivo modernizar o setor, ampliar a sustentabilidade financeira dos serviços e melhorar a qualidade oferecida aos usuários em cidades de todo o Brasil.

Fim da dependência exclusiva da tarifa paga pelo usuário

Uma das principais mudanças trazidas pelo novo marco é a criação de mecanismos que reduzem a dependência do transporte coletivo da tarifa paga pelos passageiros.

Até então, grande parte dos custos de operação era coberta quase exclusivamente pelo valor das passagens. Com a nova legislação, estados e municípios passam a contar com outras possibilidades de financiamento para subsidiar o sistema.

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Entre as fontes autorizadas estão:

  • Receitas de publicidade em terminais e veículos;
  • Exploração comercial de espaços públicos vinculados ao transporte;
  • Recursos provenientes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustíveis);
  • Outras fontes complementares de custeio definidas pelos entes federativos.

A medida fortalece o debate sobre a adoção de modelos de tarifa reduzida ou até mesmo tarifa zero em algumas localidades.

Integração e qualidade dos serviços ganham destaque

A nova legislação também busca ampliar a integração física e tarifária entre diferentes modais de transporte, facilitando os deslocamentos da população e tornando o sistema mais eficiente.

Outro ponto importante é a criação de parâmetros mínimos de qualidade que deverão orientar a prestação dos serviços.

Entre os critérios estabelecidos estão:

  • Regularidade das operações;
  • Pontualidade das viagens;
  • Acessibilidade para pessoas com deficiência;
  • Segurança dos usuários;
  • Conforto durante os deslocamentos;
  • Avaliação da satisfação dos passageiros.

Além disso, a remuneração das empresas operadoras poderá considerar indicadores de desempenho e qualidade, incentivando melhorias contínuas nos serviços prestados.

Transição energética e monitoramento

O Marco Legal também incentiva a adoção de fontes renováveis de energia no transporte público e prevê a criação de mecanismos nacionais para compartilhamento de dados e monitoramento dos sistemas urbanos.

A proposta busca fortalecer a transparência na gestão pública e permitir um acompanhamento mais eficiente da qualidade dos serviços oferecidos à população.

Vetos presidenciais buscam preservar equilíbrio fiscal

Apesar da sanção, alguns dispositivos aprovados pelo Congresso Nacional foram vetados pelo presidente.

Segundo o governo federal, as alterações tiveram como objetivo evitar impactos fiscais para estados, municípios e União, além de preservar a autonomia administrativa dos entes federativos.

Entre os pontos retirados da versão final da lei estão:

  • A obrigatoriedade de estados e municípios financiarem integralmente gratuidades e descontos tarifários com recursos próprios;
  • Regras que vinculavam subsídios públicos diretamente à remuneração das operadoras;
  • A exigência de isenção de pedágios para ônibus em rodovias estaduais e municipais;
  • A previsão de subsídios federais obrigatórios para sistemas locais de transporte.

De acordo com o governo, essas medidas poderiam gerar despesas sem previsão orçamentária e comprometer a sustentabilidade financeira dos sistemas já existentes.

Cide Combustíveis permanece como alternativa

Outro tema debatido durante a tramitação foi a destinação dos recursos da Cide Combustíveis.

O texto aprovado pelo Congresso previa a vinculação obrigatória de 60% desses recursos para áreas urbanas relacionadas ao transporte público. O dispositivo, porém, também foi vetado.

A justificativa foi garantir maior flexibilidade na utilização do orçamento federal e permitir que os recursos sejam distribuídos conforme as prioridades definidas pela administração pública.

Impactos para a mobilidade urbana

Especialistas apontam que o novo marco representa um avanço na construção de um modelo de transporte público mais sustentável, eficiente e menos dependente exclusivamente das tarifas pagas pelos usuários.

A expectativa é que a legislação contribua para ampliar investimentos, melhorar a qualidade dos serviços e fortalecer políticas de mobilidade urbana em todo o país, beneficiando milhões de brasileiros que dependem diariamente do transporte coletivo.

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