O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no último sábado (18), em Barcelona, da primeira edição da Mobilização Progressista Global (MPG), evento que reúne lideranças e ativistas de esquerda de diferentes países com foco na defesa da democracia e no combate ao avanço de forças autoritárias.
Durante discurso para um público de mais de 5 mil pessoas, Lula afirmou que não há motivo para receio em se declarar progressista ou de esquerda em regimes democráticos, desde que sejam respeitadas as regras institucionais.
O presidente destacou conquistas históricas de políticas progressistas voltadas a trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, mas reconheceu limitações do campo político ao não superar o modelo econômico dominante.
Segundo Lula, o neoliberalismo falhou ao prometer prosperidade e entregar aumento da desigualdade e insegurança social. Ele avaliou que governos progressistas, em diversos momentos, acabaram adotando políticas de austeridade, o que teria contribuído para o crescimento de movimentos considerados antissistema.
Para o presidente, a coerência deve ser um princípio central na atuação política, com compromisso entre propostas de campanha e ações de governo.
Lula afirmou que a extrema-direita conseguiu se fortalecer ao explorar a frustração popular com promessas não cumpridas, utilizando discursos baseados em desinformação e ataques a grupos vulneráveis.
O presidente também defendeu que políticas públicas devem priorizar melhorias concretas na vida da população, como acesso à saúde, educação, emprego e qualidade ambiental.
Ainda em Barcelona, Lula participou do Fórum Democracia Sempre, ao lado de líderes como Pedro Sánchez, Gustavo Petro, Cyril Ramaphosa e Claudia Sheinbaum.
O encontro reúne governos de países como Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai para discutir ações em defesa das instituições democráticas e cooperação internacional.
Desigualdade e cenário global
Durante a fala, Lula apontou a concentração de riqueza global como um dos principais fatores da crise socioeconômica atual. Segundo ele, grandes grupos econômicos acumulam poder enquanto ampliam desigualdades.
O presidente também voltou a criticar os países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, classificando-os como responsáveis por conflitos armados e altos investimentos em armamentos.
Ele defendeu maior protagonismo do chamado Sul Global e reformas no sistema multilateral, incluindo o fortalecimento da Organização das Nações Unidas.
Democracia e desafios sociais
Lula afirmou que a democracia precisa ser constantemente fortalecida por meio de melhorias reais na qualidade de vida da população. Ele citou desigualdades sociais, dificuldades no acesso à saúde e discriminação como fatores que enfraquecem o sistema democrático.
Agenda na Europa
Após a agenda na Espanha, Lula segue para a Alemanha, onde participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. Em seguida, o presidente visitará Portugal, onde terá encontros com autoridades locais.
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