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Caso de Itumbiara expõe violência vicária e alerta para uso de filhos como forma de punição à mulher

Especialistas explicam como essa forma de violência de gênero ocorre e por que ela ainda é pouco debatida no Brasil.

redação Por redação
14/02/2026 - 17:02
em Cidade
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Caso em Itumbiara chama atenção para a violência vicária, prática em que filhos e pessoas próximas são usados para punir psicologicamente a mulher.

Imagem:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um caso ocorrido em Itumbiara, no sul de Goiás, trouxe ao debate público um tipo de violência ainda pouco conhecida no Brasil: a violência vicária. A prática ocorre quando o agressor machuca, ameaça ou mata pessoas com vínculo afetivo com a mulher — especialmente filhos — com o objetivo de puni-la ou causar sofrimento psicológico extremo.

Em entrevista à Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, explicou que, na maioria dos casos, crianças e adolescentes são usados como instrumentos de controle e punição por representarem o maior vínculo afetivo da mãe.

Segundo ela, além do ato violento em si, é comum que o agressor construa narrativas para se colocar como vítima e responsabilizar a mulher pelo crime. “Há uma tentativa clara de culpabilizar a mulher, inclusive socialmente. Mas a responsabilidade é sempre de quem comete a violência. Quem mata, escolheu matar”, afirmou.

Estela destacou ainda que a violência vicária é recorrente no país, embora pouco debatida. Ela pode se manifestar desde formas mais sutis até episódios extremos, sempre inserida em um contexto de desigualdade de gênero e cultura machista, que busca manter a mulher em situação de medo e subalternidade.

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Secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, diz que na violência vicária agressor constrói ainda narrativa em que se coloca como vítima – Foto Ministério das Mulheres.

Posição da sociedade civil

Ao comentar o caso, o Instituto Maria da Penha ressaltou que a violência vicária é uma forma grave de violência de gênero e violação de direitos humanos. “Não se trata de conflito familiar, mas de violência. Crianças e adolescentes são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem contra a mulher”, destacou a entidade.

A organização lembrou que o Brasil já reconhece oficialmente a violência vicária como violência de gênero, por meio de resolução conjunta dos conselhos nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente e dos Direitos da Mulher, estabelecendo diretrizes para prevenção e resposta integrada do poder público.

Defensoria Pública

A Defensoria Pública do Estado de Goiás também se manifestou, reforçando que ferir filhos para atingir a mãe é crime e tem nome. “Ela não tem culpa. Ponto final”, destacou o órgão em nota.

A Defensoria lembrou a campanha Ela Não Tem Culpa, promovida em 2024, que buscou combater a culpabilização de mulheres vítimas de violência. “A responsabilidade é sempre de quem comete o ato violento. Expor ou julgar a mulher vítima pode, inclusive, configurar crime”, afirmou.

Como a violência vicária pode se manifestar

Segundo o Instituto Maria da Penha, a violência vicária pode ocorrer por meio de:

  • ameaças envolvendo os filhos;
  • afastamento forçado da convivência familiar;
  • manipulação emocional;
  • falsas acusações;
  • sequestro ou retenção ilegal de crianças;
  • maus-tratos a pessoas próximas ou animais de estimação.

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Tags: #DireitosHumanos#IgualdadeDeGênero#Itumbiara#ProteçãoÀInfância#violênciacontraamulher#ViolênciaVicáriaGoiás
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