Mato Grosso do Sul, maior exportador de celulose do país, iniciou a construção de uma nova ferrovia voltada ao escoamento da produção e ao fortalecimento da logística regional. A cerimônia de lançamento ocorreu na última sexta-feira (6), no município de Inocência, com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho.
O empreendimento segue o modelo short line, caracterizado por trechos ferroviários de menor extensão destinados à operação logística. Segundo o ministro, a iniciativa representa um avanço relevante para o setor e marca a primeira autorização desse tipo no Brasil.
“Ferrovia é sinônimo de uma nova rota para o desenvolvimento, e essa short line representa um avanço importante para o setor. Também vamos realizar o leilão de revitalização da Malha Oeste, reintegrando Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional”, afirmou.
Conexão estratégica até o Porto de Santos
O projeto prevê a implantação de 47 quilômetros de trilhos, conectando a futura fábrica da Arauco à Malha Norte. A partir daí, os trens seguirão até o Porto de Santos (SP), com destino a mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia.
A estrutura foi planejada para transportar até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, utilizando composições com até 100 vagões.
Para o presidente da Arauco Brasil, Carlos Alberto Altimiras, a ferrovia é um dos pilares do investimento industrial no país.
“Ela não é um complemento do projeto; é um de seus principais pilares estruturantes”, destacou.
Investimentos e geração de empregos
Com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões, a obra tem previsão de conclusão no segundo semestre de 2027. Durante a fase de implantação, devem ser criados cerca de mil empregos diretos.
O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo, ressaltou os impactos econômicos locais, citando a abertura de oportunidades de trabalho e o fortalecimento da economia do município.
Dados da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) mostram que o estado respondeu por 35% do valor total exportado de celulose do Brasil em 2025 — quase 7 milhões de toneladas enviadas a 40 países, gerando receita de US$ 3,11 bilhões, alta de 17% em relação ao ano anterior.
O governador Eduardo Riedel avalia que os investimentos atuais devem transformar o estado na próxima década, com uma estrutura privada robusta aliada a um ambiente público eficiente.
Integração multimodal e redução de gargalos
A nova ferrovia faz parte de uma estratégia nacional para diversificar a matriz de transportes e reduzir gargalos logísticos. De acordo com o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a integração entre modais amplia a competitividade e traz ganhos ambientais.
“As ferrovias transportam cargas com mais eficiência e menor emissão de poluentes, além de reduzir congestionamentos e acidentes nas rodovias”, explicou.
O projeto se soma a outras iniciativas recentes, como o leilão da Rota da Celulose, realizado em maio de 2025, que prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos em rodovias estratégicas do Centro-Oeste.
Também no fim de 2025, o BNDES aprovou R$ 1,05 bilhão para a construção de outra ferrovia, com 86,7 quilômetros, ligando a fábrica da Eldorado Brasil Celulose, em Três Lagoas, ao terminal da empresa em Aparecida do Taboado.
Renan Filho acrescentou que o estado foi definido como prioridade em infraestrutura. Para 2026, estão previstos R$ 850 milhões destinados à construção dos acessos à ponte que liga o Brasil ao Paraguai e à reconstrução da estrada entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
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