Em um cenário nacional marcado pelo aumento da violência contra a mulher, a capital capixaba apresenta um dado que se destaca positivamente: Vitória está há quase 600 dias sem registrar feminicídios. O resultado contrasta com os números do país, que atingiram recorde no último ano, com uma média de quatro mulheres mortas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça.
O desempenho da cidade é reflexo de uma política pública contínua, baseada na combinação de prevenção, tecnologia, atuação integrada e acolhimento às vítimas. A Guarda Civil Municipal de Vitória (GCMV) tem papel central nesse processo, atuando tanto no atendimento emergencial quanto no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas de urgência.
Entre as principais ferramentas utilizadas está o Botão Maria da Penha, dispositivo tecnológico que permite resposta rápida em situações de risco. Ao ser acionado, o botão envia automaticamente a localização da vítima para a Central Integrada de Operações e Monitoramento (Ciom), que mobiliza uma viatura e acompanha a ocorrência em tempo real, inclusive com captação de áudio do ambiente.
Além da atuação da Guarda, a Prefeitura de Vitória mantém uma ampla rede de serviços públicos voltados ao enfrentamento da violência de gênero. O Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramv) oferece acolhimento especializado, escuta qualificada, avaliação de risco e encaminhamentos para áreas como assistência social, saúde, educação e proteção jurídica, promovendo segurança e autonomia às mulheres atendidas.
Outro destaque é a Casa Rosa, espaço que reúne equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas. O local oferece acompanhamento clínico, apoio psicossocial e orientação às mulheres e suas famílias, além de desenvolver ações de prevenção, promoção da saúde e superação de traumas.
A Prefeitura também investe em campanhas educativas e ações de conscientização, como os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, reforçando a importância da prevenção e da mudança cultural.
Para a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, o trabalho integrado é decisivo para os resultados alcançados. “Vitória tem construído uma rede de proteção que une resposta imediata, acolhimento psicossocial e políticas públicas de prevenção. Não se trata apenas de reagir à violência, mas de fortalecer a vida, assegurar direitos e promover a autonomia das mulheres”, afirma.
A Guarda Civil Municipal atua ainda com patrulhamento preventivo, fiscalização do cumprimento de medidas protetivas, atendimento humanizado às ocorrências de violência doméstica e integração permanente com o Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil e a rede municipal de assistência social.
Dados do Ministério da Justiça indicam que o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, número superior ao do ano anterior. Para a comandante, o contraste evidencia que é possível mudar essa realidade. “Esse resultado não acontece por acaso. É fruto de um trabalho diário, integrado e sensível. Cada resposta rápida, cada acompanhamento e cada ação preventiva fazem diferença. O enfrentamento à violência contra a mulher precisa ser uma responsabilidade coletiva”, reforça.
A experiência de Vitória mostra que políticas públicas bem estruturadas, aliadas à tecnologia e à atuação em rede, podem produzir resultados concretos na proteção das mulheres e na prevenção da violência de gênero.
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