Única agremiação do Rio de Janeiro criada por quilombolas, o Bloco Rola Preguiçosa – Tarda Mas Não Falha vai homenagear a cantora Preta Gil no Carnaval de 2026. A artista, que nasceu e cresceu em Ipanema, morreu em julho de 2025, após enfrentar um câncer no intestino.
O desfile está marcado para a sexta-feira de carnaval, 13 de fevereiro, com concentração a partir das 18h, na Rua Maria Quitéria, esquina com a Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa Rodrigo de Freitas. A saída está prevista para as 20h, com dispersão na Rua Farme de Amoedo com a Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema.
A ideia da homenagem partiu do diretor do bloco, Felipe Montfort, que estudou com Maria Gil, irmã da cantora. “Preta nasceu e foi criada em Ipanema, na Rua Barão da Torre. Quando ocorreu o seu falecimento, decidimos prestar essa homenagem”, contou à Agência Brasil. Após reuniões internas, o enredo foi aprovado e ganhou samba composto por Luiz Sacopã, fundador da agremiação, de 84 anos.
Segundo a Riotur, o Rola Preguiçosa costuma reunir entre 70 mil e 80 mil foliões a cada desfile.
Origem quilombola
O Rola Preguiçosa é o único bloco carnavalesco do Rio originário de um quilombo: o Quilombo Sacopã, localizado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. A comunidade surgiu em 1929, quando Manoel Pinto Júnior se estabeleceu na Ladeira do Sacopã e, posteriormente, trouxe a família de Nova Friburgo.
Os descendentes passaram a se reconhecer como quilombolas em 1999 e receberam certificação da Fundação Palmares em 2005. Em 2014, o governo federal concedeu o título de reconhecimento das terras, uma área de 6,4 mil metros quadrados, parte integrada ao Parque Natural Municipal José Guilherme Merquior. Atualmente, o quilombo reúne nove famílias, somando 26 pessoas.
Luiz Sacopã fundou o bloco há cerca de 40 anos e lembra que, apesar das dificuldades, a agremiação resistiu ao tempo. “Já pensei em parar, mas as pessoas não deixaram”, afirma.
O nome Rola Preguiçosa surgiu nos anos 1990, em meio à epidemia de Aids, e chegou a sofrer tentativas de censura. Após diálogo com o designer Hans Donner, responsável pela criação da primeira camiseta do bloco, foi acrescentado o complemento “Tarda Mas Não Falha”. O primeiro desfile ocorreu em 1993, com Valéria Valenssa como rainha e Zezé Motta como madrinha.
Enredo e samba
Sem fantasias obrigatórias, o bloco desfila com camisetas, que neste ano foram desenhadas pelo cenógrafo Abel Gomes, responsável por projetos como a Árvore de Natal da Lagoa e o Réveillon de Copacabana. As camisas serão lançadas no próximo sábado (17).
“O bloco é uma democracia. Quem quiser compra a camiseta, quem não quiser também pode participar”, explica Sacopã.
O samba-enredo, lançado no último sábado (10), traz um refrão em homenagem à cantora:
“E uma estrela lá no céu surgiu. Eu vou segui-la, não me leve a mal. Essa estrela é Preta Gil, iluminando o nosso carnaval”.
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