Uma mesa farta, muitos sorrisos e histórias de agradecimento marcaram o almoço natalino promovido pelo Albergue para Migrantes, localizado em Mário Cypreste, em Vitória. O encontro reuniu pessoas acolhidas pelo serviço e equipes da Proteção Social Especial, em um momento de celebração, partilha e fortalecimento de vínculos.
Entre os participantes estava José Carlos Moraes, de 60 anos, que viveu três anos em situação de rua até chegar à capital capixaba. Há cerca de 20 dias acolhido no Albergue, ele relatou surpresa com o atendimento recebido e destacou a importância do Plano Individual de Atendimento (PIA) no processo de reconstrução de sua trajetória.
“Eu cheguei aqui e pensei: que lugar é este? A equipe me abraçou, me acolheu. Achei que seria como outros lugares por onde passei, onde nada muda. Aqui, em 20 dias, consegui um emprego”, contou José Carlos.
Segundo ele, o acompanhamento constante da equipe foi decisivo para a conquista. “De sete em sete dias eles perguntavam como eu estava e me incentivavam. Seguimos tudo o que foi acordado e hoje estou empregado”, afirmou.
José Carlos também ressaltou que o acolhimento representou um verdadeiro “sopro de vida”. “Já conquistei o orgulho dos meus filhos por me verem trabalhando. Em breve, vou conseguir alugar uma casa”, completou.
Natal antecipado e apoio em momento de vulnerabilidade
Há cerca de um mês no Albergue, Simone da Conceição dos Santos, de 35 anos, e sua mãe, Gisele dos Santos, de 52, também participaram do almoço natalino. Elas chegaram ao local após passarem cinco dias dormindo na Rodoviária de Vitória, até receberem orientação para buscar ajuda pelo Fala Vitória 156.
“Saímos de Araças, na Bahia, em busca de emprego e moradia. Aqui, estamos sendo muito bem tratadas desde o primeiro dia”, relatou Simone.
Ela contou que, uma semana após a chegada, a mãe sofreu o segundo infarto e hoje não tem mais condições de trabalhar. “A equipe está nos ajudando a buscar o Bolsa Família ou aposentadoria para ela. Eu sigo em busca de um emprego”, disse.
Sobre a ceia natalina, Simone celebrou: “A gente não ia ter Natal. Estamos aproveitando muito. Nunca vimos tanta comida boa e fartura”, afirmou, sorrindo.
Emoção e esperança no acolhimento
A mesma emoção foi compartilhada por Jacques Jones Gouvea, de 45 anos, acolhido há um mês no serviço. “Essa ceia vai marcar a vida de todos aqui. Quero conquistar minha casa o quanto antes para abrir vaga para outra pessoa ter a mesma oportunidade”, destacou.
Serviço garante acolhimento e reinserção social
O coordenador do Albergue para Migrantes, Ivan de Campos Bragança, explicou que o serviço é voltado ao atendimento de pessoas adultas em situação de vulnerabilidade social, que estão em trânsito pelo município de Vitória.
“Oferecemos atendimento psicossocial, orientações técnicas, passagem para recambiamento às cidades de origem ou destino e, quando necessário, acolhimento institucional, higienização e alimentação por período previamente estabelecido”, explicou.
A secretária municipal de Assistência Social, Soraya Mannato, reforçou que as equipes atuam continuamente para garantir acesso a direitos e possibilitar que os usuários da política pública também vivenciem datas comemorativas e momentos festivos da cidade.
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