O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, tem em sua equipe direta de assessores pessoas com vínculos familiares e políticos com integrantes do Centrão, grupo que sustenta sua nomeação no comando do banco.
A lista de assessores foi obtida pela Folha de S.Paulo por meio de um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), enviado em 9 de maio. A resposta só foi entregue em 22 de setembro, depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) determinou que a Caixa tornasse os dados públicos.
Entre os nomes estão a filha de um deputado federal, o irmão de um prefeito, a ex-mulher de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e um advogado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) — padrinho político de Vieira.
Durante mais de quatro meses, a estatal resistiu a divulgar a lista sob o argumento de que a exposição representaria risco à segurança física dos assessores e ameaça concorrencial por possível “assédio” de outras instituições financeiras.
A CGU rejeitou as justificativas, afirmando que a relevância pública da informação é “inequívoca”:
“Conhecer quem ocupa funções de assessoramento à presidência de uma empresa pública federal é essencial para assegurar transparência e permitir o controle social sobre cargos estratégicos.”
Segundo informações internas, consultores da presidência da Caixa recebem quase R$ 40 mil por mês. A lista entregue ao jornal inclui 15 nomes de assessores não concursados.
Entre eles está Maria Socorro Mendonça Carvalho Marques, ex-esposa do ministro do STF Kassio Nunes Marques. Economista, ela trabalhou no Senado e foi nomeada para o cargo na Caixa em 26 de dezembro de 2023, pouco mais de um mês após Vieira assumir o posto.
Outra assessora é Mayara Santiago, filha do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), político próximo a Vieira e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Sua nomeação ocorreu em 11 de dezembro de 2023.
Também consta na relação o médico João Antônio Holanda Caldas, irmão do prefeito de Maceió, JHC (PL-AL), e filho da senadora Eudócia Caldas (PL-AL). Ex-deputado federal suplente, ele foi contratado em 2 de fevereiro de 2024.
Outro nome é o do advogado Luiz Maurício Carvalho e Silva, que atua na defesa de Arthur Lira em processos judiciais envolvendo disputas de terras em Pernambuco. Ele assumiu o cargo em 20 de setembro de 2024.
As contratações revelam a forte influência política exercida sobre o banco público. Desde que Carlos Vieira foi indicado à presidência da Caixa, por meio de Arthur Lira, no fim de 2023, o comando da instituição tem sido dividido entre partidos do Centrão, como PP, Republicanos e PL.
A pressão política também levou a movimentações recentes. Na sexta-feira (10), após a derrota do governo na Câmara em uma medida provisória que aumentava impostos, José Trabulo Júnior, assessor indicado pelo senador Ciro Nogueira (PP), foi exonerado. A demissão expôs o equilíbrio instável entre o governo Lula (PT) e seus aliados parlamentares.
Em nota, a Caixa Econômica Federal declarou que as nomeações seguem “as normas internas e ritos de governança, compliance e integridade”, assegurando mecanismos de prevenção a conflitos de interesse.
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